28/05/2010

Avaliação da greve dos/as trabalhadores/as em Educação

Quanto vale a luta?
O que se conquistou?
O que se aprendeu?
O que não se conquistou?
Quanto vale...?

Não adianta fugir a regra, pois quando se termina ou suspende um movimento grevista ou qualquer outro movimento de reivindicações de classe, essa é a questão que sempre norteia nossas avaliações e opiniões.

Há aqueles que irão se prender ao imediato, ou seja, reivindicamos X, lutamos Y e ganhamos Z.

Há aqueles que irão relevar os pontos positivos frente a situação que se tinha antes e aqueles que irão repetir as mesmas “receitas de bolo” dos bolcheviques de plantão, de que a estratégia foi errada, de que há crise na direção ou de que essa luta é limitada e não adianta mais.

Eu diria que todas as questões podem estar certas ou erradas dependendo do ponto de partida da análise que se pretende fazer.

É incontestável que essa foi a maior greve do movimento sindical em Minas dos últimos 15 anos e inegável a disposição que a categoria dos trabalhadores (as) em educação manifestaram ao longo de 47 dias de luta e diga-se de passagem só quem não esteve na greve ou não é trabalhador é que ignora o que isso significa em um contexto onde o que reinava era a mais profunda apatia e desilusão com o sindicalismo e a luta política.

Para aqueles que só enxergam o momento presente e não compreendem que a vida é um processo dinâmico, dialético e às vezes flexível, que passa por etapas muitas das vezes imperceptíveis aos olhos dos mais desatentos ou precipitados, a não realização da nossa pauta de reivindicações é o coroamento do fracasso do movimento ou da falência da luta direta das massas.

Não se trata agora de fazer um balanço apenas do resultado financeiro restrito e isolado, mas do rico e fértil processo que esse movimento instaurou em nossa categoria.

Há cerca de oito anos, na greve de 2002, uma triste história teve seu ápice na traição que a direção do Sind- UTE operou contra a categoria que estava em Greve contra o então governo Itamar Franco, aliado de LULA nas eleições daquele ano.

Em uma assembléia histórica e com cerca de 10 mil pessoas, a Direção do sindicato ofuscada pelo processo eleitoral capitulou as pressões externas do PT e golpeou a todos com a decretação do fim de nossa greve. Foi uma revolta total e oito longos anos de ressaca de um processo que deixou marcas e desconfianças em nossa categoria.

Passado todo esse período as coisas não ficaram imóveis.

Nossas condições de trabalho ficaram cada vez mais precarizadas, por sua vez novos profissionais chegaram enquanto outros saíram e até o mais improvável aconteceu, uma ruptura interna no seio da Articulação Sindical forçando o grupo vitorioso a mudar o status quo reinante para se requalificar frente a sua base, com o resgate de discursos e ações abandonadas com o tempo.

Soma-se a isso uma pitada de humor político- eleitoral e temos todas as condições de se iniciar uma nova etapa no movimento.

Mas auto lá, vamos devagar... Principalmente aqueles que são mais afoitos. Uma nova etapa não significa que mudou tudo de vez ou que haverá um progresso contínuo, retilíneo e uniforme.

Estou falando que após todo esse rico processo que vivenciamos e que nos tirou do ostracismo político e que educou as massas que se lançaram ao campo de batalha, um novo e profícuo espaço se abriu entre nós e cabe agora àqueles que não se iludem com o economicismo sindical e que tem um compromisso com a luta para além do capital, explorar as oportunidades de reconstrução do movimento sindical na área da educação em nosso Estado.

A categoria dos trabalhadores (as) em educação, talvez sem ter a consciência disso, deu o maior exemplo de resistência e luta para o conjunto dos trabalhadores desse país e mesmo ressaltando essa convicção com uma pontinha de orgulho por ter participado desse movimento, faço-o com a mais absoluta serenidade após passar o furor das emoções e o contagio do calor impetuoso das massas.

Que categoria em tempos de abandono da luta classista e independente, no gozo mais requintado do modo de vida pós-moderno, individualista e sem utopias, cercada de aparelhos ideológicos e alienantes por todos os lados, poderia surpreender e suportar todo o arsenal do aparato do Estado burguês, que implacavelmente desferiu toda a artilharia que possuía contra os grevistas e a cada ataque a resposta era a adesão, a persistência e a luta?

E não estou falando aqui do trivial que lançam contra qualquer categoria que perturba a ordem burguesa, ou seja, a imprensa pusilânime, safada, mentirosa e imoral, a repressão policial ou a Justiça tendenciosa que nos colocou na condição de bandidos e fora da lei.

Estou falando de cortes de salário sobre pais e mães de família que mesmo na miséria não recuaram um milímetro sequer, estou falando de pessoas que não tem a educação como bico e que mesmo com a ameaça de desemprego evidente e as angústias e incertezas que isso trazia, mantiveram-se firmes e decididas a irem até o final.

Estou falando de uma massa de trabalhadores em assembléia ( cerca de 15 mil) que quando a Direção do sindicato, temerária e vacilante frente as ameaças do Governo, quis por fim a Greve em 18 de Maio, não vacilou e nem tremeu na base, atropelando o medo e a indecisão da Articulação com um sonoro coro de vozes e punhos cerrados em toda a Praça: GREVE, GREVE, GREVE, GREVE!!!!

A cada porrada do Governo , um saia do movimento, mas dois ou mais aderiam, a cada ataque desesperado a resposta era a indiferença dos grevistas a mesma que o Governo Aécio nos tratou durante todo esse tempo.

Já não tínhamos mais nada a perder, a não ser os grilhões que nos acorrentavam ao medo, a apatia, a mediocridade, a falta de amor próprio, ao ostracismo político e a cegueira de classe.


Se agora me perguntarem quanto valeu essa greve, eu direi sem dúvidas que valeu o aprendizado que tivemos e o resgate do sentido de nossa luta. 


Que, diga-se de passagem, não tem preço!

Se me perguntarem o que conquistamos de fato, direi que conquistamos o direito de sonhar de novo, de se rebelar de novo, de viver de novo, pois rompemos a barreira do lugar comum que tanto o sindicalismo acomodado e bem comportado, quanto a ideologia da conciliação de classes nos diz para seguir sem questionamentos.

A aula de resistência e luta que nossa categoria deu nas ruas e praças de Minas Gerais a fora, ecoaram por todo o país e hoje tem motivado a outras categorias do nosso Estado a se mobilizarem e saírem do mundo das sombras na qual elas se encontram.

É muito simplório e idealista talvez, querer dizer que saímos derrotados...


-Ledo engano!

Em todos esses 20 anos como militante eu nunca assisti uma categoria, mesmo dividida ao meio quando da votação da continuidade da greve, continuar em sua grande maioria junta e unida, esperando o desfecho final da assinatura do acordo que suspendeu nosso movimento.

O nosso retorno para as salas de aula não foi de cabeças baixas com o rabo por entre as pernas como vivenciei muitas vezes em minha vida.

De cabeças baixas e com os rabos por entre as pernas estavam meus tristes e ignóbeis fura greves que não conseguiam esconder o constrangimento de tanta covardia e mediocridade.

E olha que muitos nem agradeceram a conquista do concurso público que agora vão poder fazer graças ao nosso movimento e quem sabe saírem da triste condição de designados/ resignados!

E confesso que só desfiz meu sorriso e alegria ao voltar de cabeça erguida para a escola, quando fui recebido com aplausos por um grupo de alunos do EJA, por serem trabalhadores e sentirem na pele o que é ser explorado dia a dia como escravo. A essa manifestação de solidariedade inesperada não respondi com sorrisos...


-Chorei copiosamente, abraçado a eles (as).

Se não conquistamos tudo o que merecíamos e tendo o gostinho de que poderíamos ter ido mais longe, se não fossem as vacilações da Direção do sindicato, o sentimento de resgate da identidade de classe, da autonomia sobre sua profissão, da coragem e da ousadia realimentou de vida e esperança uma categoria que era julgada como moribunda ou morta, sem respeito e que não protagonizaria mais nada no cenário político desse Estado.

Para aqueles que viveram a Greve intensamente, para aqueles que sentiram os impactos de nossas manifestações nas ruas de Minas e foram forjando em seu ser social uma nova consciência, para aqueles que mudaram o eixo da triste sina ao qual estávamos errantes, não é preciso dizer que valeu muito a nossa luta e que frente à etapa na qual nos encontrávamos anteriormente a luta da classe trabalhadora em geral saiu vitoriosa dessa greve.

Sem receio do que vou dizer, construímos na história de nosso movimento, uma nova etapa política, que se iniciou quando a indignação e a esperança venceram o medo e o imobilismo. E esta etapa está aberta e cheia de possibilidades àqueles que desejam reconstruir o sindicalismo classista, independente e combativo em nossa categoria.

Dezenas de novos militantes surgiram nessa Greve, centenas de trabalhadores voltaram seus olhos para o papel de nossa categoria no cenário sindical e político desse Estado ou retornaram ao movimento depois de tantas desilusões e traições de classe e milhares de profissionais, mesmo que decepcionados com a condução da Greve em sua reta final perceberam a força de mobilização que ainda possuímos.

Não podemos enquanto marxistas, avaliar um movimento de massas apenas pelo seu aspecto reivindicatório e economicista, ou subjugar a pujança desse movimento e todas as suas variantes, por este não ter conseguido maiores vitórias ou não ter chegado aos céus e tomado o poder das mãos da burguesia!

A cada etapa, um processo diferente, a cada processo uma análise à luz do que havia antes e das mudanças que se manifestaram e transformaram a realidade objetiva e subjetiva e a cada mudança o entendimento do que estava em contradição e do que surgiu dessa contradição e se instaurou como o novo ou como a possibilidade do novo.

Sem isso companheiros(as) fica difícil querer fazer uma análise bem feita de nossa Greve, ou de qualquer movimento de massas que se coloque em oposição ao sistema capitalista, mesmo que lutando contra aspectos isolados desse sistema, como é o caso da luta econômica.

No nosso caso, quando a Justiça do Trabalho julgou nossa Greve ilegal e nos colocou na ilegalidade, rasgando a Constituição, passando por cima do Direito de Greve e penalizando a categoria com multa e ameaça de demissões, a Greve da educação assumiu naquele momento um simbolismo nunca antes evidenciado em nosso Estado. Pois já não se tratava mais de uma Greve salarial e contrária ao Governo do PSDB, mas uma Greve de dimensões maiores, pois nossa desobediência à ilegalidade da Justiça e a Magistratura subserviente representava todo o sentimento de resistência do conjunto do funcionalismo do Estado e mesmo do Brasil.

Não podemos nos esquecer que o ex-grevista e sindicalista Luiz Inácio Lula da Silva, apoiava naquele mesmo momento a decisão do STJ de decretar a ilegalidade da Greve dos Funcionários do IBAMA que se viram constrangidos a recuarem e terminarem o movimento.

Sem dúvidas há muito ainda o que se superar, tanto em nossa estrutura sindical, quanto em nossas táticas de luta e organização, tanto em nossas concepções, quanto em nossas debilidades e vícios... Mas é inegável que após a Greve de 2010 dos educadores de Minas Gerais, uma “nova” lição todos nós reaprendemos na escola da luta de classes:

Só com a luta se muda a vida e só vive de fato aquele que ousa lutar.


 (Trabalhador em educação, membro do comando de Greve e da INTERSINDICAL- MG)

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Mais uma derrota dos professores de Minas Gerais! Por quê?



Essa deve ser a décima derrota que assisto de minha categoria (embora eu não esteja dando aulas, me sinto professor). Alguns farão análises positivas, que foi o maior movimento dos últimos anos, que conseguiu essa e aquela promessa do governo, que para derrotar essa greve as elites utilizaram todo seu potencial de mentir para o povo, e a "Justiça" que foi completamente parcial e política. Mas nada disso pode esconder que é mais uma derrota! E é bom que não se esconda essa derrota, pois temos que aprender com ela. Por que fomos derrotados?

Em primeiro lugar, pelos mesmos motivos de sempre!!! Sim, pois desde que me conheço por gente, quando ainda era estudante, só vejo os professores usando a mesma tática derrotada várias vezes! Isso é absurdo, é suicídio, eu diria político, mas na verdade o suicídio dos professores de Minas é Apolítico. Eis o problema. Todas essas greves derrotadas não arranharam os governos diversos. Agora mesmo pode-se ver o governador no topo das pesquisas para o Senado e o vice crescendo nas pesquisas para o governo. A greve lhes fez pouco, ou nenhum, estrago.

Então o movimento nasceu derrotado! Bem que o afirma Sun Tzu, livro de cabeceira de Mao Zedung, que os exércitos quase sempre já são vencedores ou derrotados antes da batalha. Se uma greve de funcionários públicos pagos pelo governo não tira votos dos governantes, ela é mais fraca que o palestino que lança uma pedra contra um tanque israelense, pois a pedra ao menos arranha o tanque. Mas os professores têm armas capazes de arrancar votos do governo, ou podem construí-las, pois sabem escrever e falar! A arma principal da política é a imprensa. Quem não tem imprensa não é nada na luta política.

Mas estamos dois passos atrazados, ou seja, existem dois pontos dos quais tenho certeza que a maioria dos professores não está convicta.

1 - Que essa luta é política, quase só política, diferente da luta de outros trabalhadores que é econômica. Os professores não querem aceitar isso não devido às teorias que falam que são "produtores de conhecimento", que estão agregando valor à mão-de-obra com suas aulas e outras bobagens. Isso são para o professorado no muito desculpas e piadas. O fato é que não querem se envolver em política! Aliás, teriam dificuldades, pois estão longe de ter unidade e muitos votaram e continuarão votando em seus algozes tucanos. Porém, sem resolver essa questão, não se precisa nem pensar em vitória dos professores.

2 - Que a imprensa é toda política, são os verdadeiros partidos políticos, e que hoje é toda inimiga. Contudo, persiste a idéia de que seria possível chamar a atenção da grande imprensa. Que idiotice! Se a grande imprensa cobre nossos atos, é para denegrí-los e distorcê-los. Precisamos de nosso próprio sistema de imformações, é para isso que deve ser dedicado o dinheiro do Sindicato, aliás, dos Sindicatos e partidos de esquerda. Porque sem isso não existimos, nossas manifestações não existem, e o mundo é um paraíso capitalista, em que todos vivem na fartura. Mas nem sem dar aulas, sem corrigir provas, reunindo-se etc., os professores criaram seus jornais. E bater com força na imprensa mentirosa, nem pensar, ainda sonham em ter o apoio desses corruptos.

Certamente alguns vão responder que foi feita política, sim, que foram feitos atos e distribuídos panfletos. Atos que só os professores viram e panfletos que só falavam da situação dos professores, das negociações com o governo e que só os professores, suas famílias e alguns amigos viram. Isso não chega aos pés da política. Os professores tinham que ter publicado denúncias de tudo que é assunto - os jornalistas demitidos no primeiro mandato, os gastos com publicidade, o que paga aos grandes jornais de Minas (aliás, a imprensa adversária tem que ser atacada, com o objetivo de desmoralização, pois é o inimigo), seus financiadores, os impostos que criou e aumentou etc.

Mas já repito isso há alguns anos, e o Sind-UTE é um sindicato estadual, ou seja, da minha cidade não tenho sobre a direção desse sindicato influência alguma. Ter sindicato estadual em um estado do tamanho de Minas é quase como não ter sindicato.
S. João del Rei/MG


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26/05/2010

Veja as deliberações da assembléia da rede estadual de 25 de maio na ABI

Meia paralisação no dia 10 de junho, com atos descentralizados de protocolo nas Coordenadorias Regionais e paralisação intetgral no dia 17 de junho para realização de marcha unificada do funcionalismo ao Palácio Guanabara foram as principais deliberações da assembléia geral, realizada ontem (dia 25/5) na ABI

Os profissionais da rede estadual fizeram uma paralisação de 24 horas nesta terça (dia 25/5). Pela manhã, centenas de profissionais de educação e de servidores que integram o Movimento Unificado dos Servidores Públicos Estaduais (MUSPE) realizaram o Dia Estadual do Protocolo, na Secretaria Estadual de Planejamento e Gestão (SEPLAG). Ali, os servidores protocolaram requerimentos solicitando ao governo do estado a manutenção dos direitos funcionais e reajuste salarial.

Marcha Unificada ao Palácio no dia 17 de junho

Na parte da tarde, os profissionais de educação realizaram uma assembléia geral, no auditório da ABI. No encontro, a categoria decidiu por fazer uma meia paralisação no dia 10 de junho, para realizar um novo Dia do Protocolo, desta vez, nas Coordenadorias Regionais. No dia 17 de junho, os profissionais de educação da rede estadual fazem nova paralisação de 24 horas, para realizar uma marcha unificada ao Palácio Guanabara, com os outros segmentos do funcionalismo que integram o MUSPE. Veja o calendário de atividades tirado na assembléia da rede estadual de ontem:

Calendário:

  • 27/05 – Reunião Especial do Coletivo de funcionários – 14h no SEPE Central – foi aprovado que o SEPE Central arcará com os custos de 01 representante por núcleo/regional;
  • 01/06 – 13h - Corrida aos gabinetes dos deputados estaduais – pressionar os deputados pela aprovação do Plano de Carreira dos funcionários;
  • 10/06 – ½ paralisação com dia do protocolo nas Coordenadorias;  
  • 17/06 - paralisação de 24h – 10h - marcha ao palácio Guanabara e às 15h Assembléia na ABI (Rua Araújo Porto Alegre, 71/9o andar – Centro).  
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  •  Fonte:Sepe         

23/05/2010

A delicada relação professor-aluno

Por Jotavê

Há uma matéria na Folha (LEIA AQUI) de hoje que aborda o número excessivo de licenças médicas pedidas pelos professores da rede pública do Estado de São Paulo. Eis o trecho que valeria a pena discutir (até porque envolve a declaração de um colega nosso, aqui do blog):

“Pesquisadores apontam duas razões para tantas licenças. A primeira é a concepção da escola, que requer para as aulas estudantes quietos e enfileirados. “Isso não existe mais. Esta geração é muito ativa. O professor se vê frustrado dia a dia por não conseguir a atenção deles”, diz o sociólogo Rudá Ricci, que faz pesquisas com educadores de redes públicas do país, inclusive no município de São Paulo.

A outra razão são as condições de trabalho. Em geral, os professores dão aulas em classes com mais de 35 alunos, possuem muitas turmas e poucos recursos (não há, por exemplo, microfone).”

O tamanho das classes deveria diminuir, mesmo. Creio que 30 alunos é um limite máximo que deveria ser observado com rigor. Creio, no entanto, que não é o principal fator. Muito mais importante é como se comportam (e como nós ESPERAMOS que se comportem) esses 30 alunos.

Grifei nossas expectativas, na frase anterior, para dar ênfase a uma ideia sobre a qual talvez seja interessante meditarmos. Não será possível modificar essas expectativas? Não será possível imaginar estratégias didáticas que não pressuponham alunos “quietos e enfileirados”? Imaginemos o exato oposto disso: alunos dispostos em roda e intervindo o tempo todo. Isso contribuiria para diminuir a desatenção e a bagunça? Contribuiria, mesmo que não fossem adotadas medidas disciplinares mais rígidas, que sinalizassem com absoluta clareza o que é tolerado dentro da escola e o que não é? O sucesso desse tipo de estratégia não dependeria ESSENCIALMENTE do talento do professor que está, não mais “defronte”, mas “em meio” aos alunos? O sucesso de QUALQUER tipo de estratégia pedagógica não depende, em alguma medida, do talento do professor que irá implementar essa estratégia? Essa estratégia “participativa” funcionaria bem em qualquer caso, em qualquer disciplina? Funcionaria, por exemplo, tão bem numa aula de história da arte quanto numa aula de matemática? Em grande medida, essa estratégia não vem sendo empregada por grande parte dos professores – ou, melhor dizendo, grande parte dos professores não têm TENTADO empregar técnicas desse tipo? Não pontilham sua exposição com perguntas à sala de aula? Não é desse tipo de participação que estamos falando aqui? De qual, então?

A questão de fundo é a seguinte. Somos todos herdeiros da luta contra os micropoderes que se desenvolveu e se popularizou na esquerda a partir dos anos 60. O inimigo não era mais apenas (nem principalmente) o poder do Estado a serviço do capitalismo, mas também (e para muitos principalmente) os poderes miúdos, que se expressam dentro da família (pais e filhos, marido e esposa), na escola (professor e aluno, diretor e professor), nas instituições médicas (psiquiatras e loucos), no ambiente de trabalho (chefes e subordinados), etc. Houve todo um movimento no sentido de dissolver, diluir essas estruturas de poder. Tudo se passava como se pudéssemos fazer a revolução (ou uma parte dela) dentro dos muros de nossa casa, da sala de aula, ou dos hospitais psiquiátricos. Dávamos vivas a iniciativas como a de Franco Basaglia, na Itália, que conseguiu induzir o governo a aceitar uma política de desinternação dos doentes mentais. No ensino superior, instalou-se a prática dos seminários, com alunos dispostos em roda expondo os textos a serem discutidos por todos. A pedagogia demonizou toda e qualquer forma de “repressão”, e não apenas os excessos inegáveis que antes eram cometidos em nome da ordem.


A discussão pedagógica está, a meu ver, travada NESSE ponto. É preciso reintroduzir elementos de disciplina e de ordem, e temos VERGONHA de fazer isso. Ficamos dando mil voltas para nos distanciarmos do tema, mas ele está aí, escancarado para qualquer professor que tenha que enfrentar alunos que perderam qualquer noção de limite e transformam seu ambiente de trabalho num verdadeiro inferno. Vamos pôr os alunos em rodinha, tudo bem – embora eu não veja com muita clareza que vantagem Maria leva. Vamos pedir-lhes que participem – mas, nesse caso, é importante dizer “como”. (Vão apresentar seminários? É essa a idéia? Se for, eu acho péssima.) Podemos fazer tudo isso, mas teremos, mais cedo ou mais tarde, que falar sobre uma coisa que é BÁSICA: a recuperação da autoridade por parte do professor dentro da sala. Significa só punição? NÃO SIGNIFICA SÓ PUNIÇÃO. Repitamos, por via das dúvidas: não significa só punição. Sistema nenhum funciona só na base da punição. Legitimidade é essencial. Mas, aqui, eu arrisco um palpite. Grande parte dos professores que atuam hoje e que têm imensos problemas com a disciplina dentro de sala de aula, têm toda a legitimidade que um professor pode pretender possuir – aquela que lhe é conferida por sua competência profissional. É isso (e só isso) que dá legitimidade ao professor – a enorme assimetria de saber existente entre ele e seus alunos. Se isto está presente, e mesmo assim a aula não funciona, o problema não é mais de legitimidade. É de poder. Esse professor não tem mais em mãos os instrumentos para dominar uma minoria de estudantes VIOLENTOS. Eles tomam conta do pedaço, e a relação pedagógica se esfarela. Tenho a impressão de que é isso que está acontecendo.

Enquanto não virarmos a página da “aurora de nossa vida” – esses anos 60 que caminham como se fosse um morto-vivo em pleno século 21, não sairemos do lugar.

FONTE  AQUI

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22/05/2010

Veja o que foi discutido na audiência do Sepe com a SEE no dia 17 de maio

A direção do Sepe teve audiência  na SEE, no dia 17 de maio. Pela secretaria estavam presentes o subsecretário Marcus Medina e outros assessores. Veja o que foi discutido na reunião:


1) Liceu Nilo Peçanha: Marcus Medina disse que está aguardando resposta de Iolanda, coordenadora tecnológica, para  o retorno das Prof. Eliana e Amin P/ a função de OT.
2)Abono para o CONCLAT:

 A secretaria do SEPE enviará um ofício  com a relação nominal/matrícula p/ cada profissional que saiu delegado.

3)30h dos funcionários- O processo está na Procuradoria Geral do Estado para ser analisado.
 
4) Plano de carreira da SEEDUC:

 piso inicial do salário mínimo regional, três níveis (formação: elementar, médio e superior), 9% entre os níveis. Ficaram de analisar a progressão por tempo de serviço também. 
 Argmentaram que trabalharão essa proposta para ser aceita pela SEPLAG, que tem uma outra proposta.
 A direção do SEPE garantiu que estará cobrando da deputada  Aparecida Gama e do deputado Paulo Melo uma reunião para apresentar a proposta para a SEPLAG.

5) o abono de 50 reais p/ os funcionários está na SEPLAG.
 
6) ANIMADOR CULTURAL:
 já incluiu a animadora Dilciléia na folha 
Solicitará a comissão de ed. os procedimentos p/ convocar os animadores p/ serem investidos do cargo eda função

7) Em relação as licenças médicas a SEEDUC está cruzando informações com as outras secretarias

8)Em relação ao primeiro triênio, não será mais automático, a SEEDUC  é que dará entrada

9)Em relação ao adicional de qualificaçaõ: cerca de 100 professores já foram contemplados, agora, neste mês ,já será publicado a solicitação de mais 900 professores que receberam o adicional e os atrasados. Esse adicional não tem período certo p/ ser solicitado.

Em relação aos 8 mil pedidos de enquadramento está na SEPLAG, não há previsão de pagamento, é um ato do governador, diferente do AQ que é um ato da SEEDUC.

10) Pagamento dos concursados de 2009, está na SEPLAG

11) LIcenças sindicais, pediu ofício c/ histórico e atualização do nome dos 48 diretores

12)Concursados de pedagogia, encaminhará o quantitativo dos que foram chamados e dos que assumiram

13) Em relação ao abono dos dias de greve, pediu o quadro c/ as datas pendentes

14) Em relação ao preenchimento das notas pela  internet, Marcus Medina se comprometeu de rever a medida. O SEPE vai acompanhar para cobrar a revogação dela, já que entendemos que este trabalho não deve ser realizado pelos professores, que já tem o seu trabalho em sala de aula.

FONTE SEPE

21/05/2010

Um Exemplo para o Brasil. Uma aula de Resistência e Luta.

Eram duas horas da tarde desse 18 de Maio e a praça ainda estava vazia, chegava um ali outro aqui e nos olhos de quem era pontual com o horário de início de mais uma assembléia da Greve dos educadores de Minas um misto de ansiedade e angústia se esboçava nos olhares.

A tensão era evidente, pois chegávamos a 42 dias de greve e o Governo resolverá endurecer de vez e lançar talvez a última cartada. Todos os jornais anunciavam que a Greve iria acabar e que o sindicato iria aceitar o acordo do Governo. Muito boato, muito zum, zum, zum e de certo havia apenas a informação que no dia seguinte a ordem de demitir todos(as) os contratados e abrir processo administrativo contra os efetivos seria cumprido a risca.

Mas eis que chega um bumbo, entoando uma nota só com um cordão de educadores agitando-se em zigue e zague chamando a atenção da polícia e lá mais adiante chega um ônibus e dele dessem dezenas de mulheres com os rostos marcados pelo tempo, de semblante altivo e passo firme e não demora muito a praça antes vazia vai se enchendo de graça, de vida, de gente trabalhadora, de força e emoção...

Quarenta e dois dias de luta, de resistência, de enfrentamento e de muita pressão por parte do governo.

Como não resolveu a mentira e a calúnia, veiculadas na imprensa pusilânime e vendida, como se não bastasse os pseudo- projetos de capacho-mor do Governo, que se lançam contra os grevistas, camuflados de representantes de pais de alunos, que só aparecem para falar mal dos educadores e serem contra a Greve, se não bastasse a repressão policial, as infiltrações e perseguições, se não bastasse o descaso e a ingratidão dos fura greves, a letargia de alguns e a omissão de outros, agora veio o Sr. Governador ter uma recaída e achar que é Ditador, impondo a categoria o castigo da demissão caso não cessasse o movimento?!

-Deixa estar!

Foi o que uma auxiliar de serviços gerais repetia a cada acusação feita ao governo e seus comparsas.
Deixa estar... Pois será que ele se esqueceu que essa mesma categoria dobrou o autoritarismo da Ditadura Militar em 79 e contra balas e canhões nós tínhamos apenas a indignação e a coragem e vencemos!

Deixa estar... Pois será que o Governo pensa que é tratando educadores como se fossem criminosos, fora da lei, com chibata e ameaças é que iremos recuar e como cordeirinhos voltar para as escolas, de cabeça baixa e ainda mais humilhados do que já somos? Pois quem pratica crime contra a educação e está fora da lei é o próprio governador que endividou a máquina pública, não cumpre com a lei do Piso Salarial em Minas, engana a população com as maquiagens feitas nas escolas, além de praticar falsidade ideológica quando diz que negocia e investe na educação!

Deixa estar... Pois não deu outra, em menos de uma hora toda a praça estava lotada de vida e dignidade e sem vacilar nossa categoria deu uma aula para o Brasil de como resistir e lutar pela respeito a quem educa e só tem o conhecimento e a palavra como armas contra tanta opressão, safadeza e exploração desferida sobre os trabalhadores(as).

Se vai demitir, então que demita! Gritava um trabalhador.
Se vai cortar, então que corte logo, pois meu salário não enche meu armário! Gritava outro.
E assim de protesto em protesto, de intervenção em intervenção, lado a lado, a multidão foi se aglomerando e no fim das falações o golpe final sobre aqueles que com mentiras e pressões veiculadas na imprensa apostavam fichas no fim da Greve.

Quinze mil punhos cerrados na praça e um longo e estrondante grito de GREVE, GREVE, GREVE, foi a resposta da categoria para todo o mundo ouvir!

Braços cruzados escolas paradas é o resultado da falência do Governo Aécio Neves/ Anastásia (PSDB) que jogou no fundo do posso a educação pública de Minas afetando mais de 500 mil alunos em todo o Estado.

Em Minas ainda se respira liberdade, apesar dos pesados pesares... Ainda se mantém a esperança, apesar do ódio e do medo que foram propagados... Ainda a vida e dignidade, apesar de tentarem nos encarcerar e nos matar com tanta indiferença e hipocrisia.

Estão tentando acabar com o nosso movimento de todas as formas, fazer o que fizeram com nossos companheiros de São Paulo e nos dividir como aconteceu com os companheiros de Belo Horizonte. Mas a GREVE segue forte e quem está na luta segue unido e convencido cada vez mais de quem já não temos mais nada a perder a não ser as correntes da miséria que nos prendeu durante anos ao ostracismo e a senzala ao qual se transformou a educação sob a tutela do Governador encantado e maquiado, que um dia sonhou ser presidente do Brasil e aplicar seu choque de indigestão sobre o restante da nação.

Uma nova página da História da Luta dos trabalhadores (as) está sendo construída com sangue, suor e lágrimas nas ruas desse Estado a fora. Aqueles que ainda insistem em duvidar do poder da classe trabalhadora, da sua disposição e principalmente da sua força e unidade, que vá para as ruas e praças onde estamos dando uma aula de cidadania e luta, para aprender que não se deve subjugar e subestimar uma categoria radicalizada que já não tem mais nada a perder e que quanto mais o governo bate, mais unido, determinado e forte fica o nosso movimento.


Viva a luta dos trabalhadores (as) em educação de Minas.
Viva nossa vitoriosa GREVE.

Fábio Bezerra.
(Membro da CPN / CC - PCB - Trabalhador em educação e membro da INTERSINDICAL)


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O primogênito dos sem-terra

Seu nome é carregado de simbolismo. Foi escolhido por um grupo de colonos sem-terra em uma reunião realizada sob lonas pretas. Marcos faz referência à palavra marco, início. Tiaraju é uma homenagem a Sepé Tiaraju, o líder dos índios guaranis morto em 1756 na defesa das terras do Rio Grande do Sul contra portugueses e espanhóis.

Marcos Tiaraju Correa da Silva, de 24 anos, foi a primeira criança nascida em um acampamento do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST). O jovem perdeu a mãe em um conflito com ruralistas, cresceu em manifestações e hoje estuda medicina em Cuba. Quer voltar ao Brasil em um ano e meio, formado, para continuar a luta iniciada pelos pais.

A história de Marcos entrelaça-se com a trajetória do MST. Ele nasceu em 1º de novembro de 1985 na Fazenda Annoni, no norte do Rio Grande do Sul, na primeira área ocupada pelo recém-criado grupo. O local, para onde migraram 1,5 mil famílias de agricultores pobres, é o berço do movimento e tornou-se símbolo da batalha pela terra.

José Correa da Silva e Roseli Celeste Nunes da Silva, os pais, entraram no MST após ficarem cansados da vida miserável. Chegaram à fazenda de 9 mil hectares com algumas sacolas de roupa, os dois filhos – de 3 e 6 anos – e o sonho de virar donos de um pedaço de chão. Roseli, aos 31 anos, estava grávida de nove meses. “Não tínhamos alternativa”, afirma o pai de Marcos.

O bebê nasceu num hospital perto do acampamento. Viveu os primeiros meses de vida em barracas, amamentado em protestos e ocupações. Sua mãe o levou nos braços em uma marcha de 500 quilômetros que durou 28 dias, entre a Fazenda Annoni e Porto Alegre. 

Para os colonos, o menino virou um talismã desde o nascimento, lembra o padre Arlindo Fritzen, um dos fundadores do movimento. “Ele é o símbolo da vida, da esperança, para milhares de pessoas que se juntaram pelo sonho da reforma agrária. O sucesso dele é uma vitória, mostra que o sacrifício não foi à toa”, diz Fritzen, que batizou Marcos.

Perda da mãe

Em 31 de março de 1987, Roseli participava de uma manifestação em Sarandi, também no norte do estado, quando o caminhão de uma empresa agrícola avançou sobre uma barreira de colonos. Rose, como era chamada, morreu esmagada. Virou nome de acampamentos, assentamentos, escolas e brigadas do MST por todo o Brasil. A história dela foi contada nos documentários Terra para Rose e O Sonho de Rose, ambos da carioca Tetê Moraes.

Abalado com a morte da mulher e com três filhos pequenos para criar, o pai de Marcos não suportou a dura rotina nos acampamentos, onde faltava até água para beber. Foi tentar a vida na cidade como pintor de paredes, sem perder os vínculos com os amigos do movimento. A reaproximação com o MST ocorreu em 1996, quando a documentarista preparava o segundo filme sobre Roseli. “Decidimos que o sonho de Rose, o sonho de minha mãe, deveria virar realidade. Ela não poderia ter morrido em vão. Precisávamos ter nossa terra”, conta o estudante.

Convidado por um amigo, o futuro médico morou um ano em um assentamento na região metropolitana de Porto Alegre, longe da família. Lá, aos 14 anos, reencontrou-se com o passado. Essa temporada reascendeu seus ideais adormecidos, os mesmos que moveram sua mãe. “Ganhei uma camiseta estampada com uma foto dela comigo nos braços e uma frase que ela sempre repetia: ‘Prefiro morrer lutando do que morrer de fome’. Nunca foi fácil aceitar a sua morte e acredito que nunca será. Mas sinto orgulho do que ela fez.”

Em 1999, o sonho foi realizado. A família Silva recebeu 14 hectares em Viamão, nos arredores de Porto Alegre. Não foi fácil para Marcos seguir com os estudos e morar no novo assentamento. Caminhava diariamente 7 quilômetros até o ponto de ônibus mais próximo. Meses depois, ganhou uma bicicleta e passou a pedalar 30 quilômetros por dia para ir e voltar da escola. Pensou várias vezes em trocar os livros pela enxada.

De volta ao convívio com o movimento, passou a envolver-se mais em protestos e ocupações. Morou em acampamentos, pegou em foices e reviveu a rotina dos primeiros meses de vida. O passaporte para mudar de país e de vida veio em 2005, quando engrossou uma marcha de 12 mil sem-terra a Brasília. Acabou convidado a estudar medicina em Cuba. “Senti o compromisso moral de aceitar a proposta, já que diariamente dentro do movimento- levantamos a bandeira da educação e da saúde como forma de melhorar a vida dos mais pobres.”

Medicina

Sem nunca ter saído do Brasil e com espanhol precário, o gaúcho desembarcou em 2006 na ilha de Fidel Castro. Cursou os dois primeiros anos de faculdade em Havana e agora está em Camaguey, a oito horas da capital. Suas despesas com estudo, alimentação, higiene pessoal e moradia são custeadas pelo governo cubano. Também recebe auxílio financeiro do MST a cada três ou quatro meses. Se tudo der certo, se graduará em 2012. Ainda não escolheu qual especialização vai seguir, mas tem claro que voltará às fileiras do movimento. Quer usar a medicina para atender “os companheiros”. Diz querer ajudar a reconquistar a simpatia da população em relação aos sem-terra. “Temos de mostrar nossos objetivos e nossas raízes, a luta pacífica pela terra.”

O universitário sabe ser um símbolo da causa. Os filmes que contam a história de sua mãe são exibidos com sucesso nos acampamentos e assentamentos. Os documentários o fizeram conhecido entre os que lutam pela reforma agrária. “A história do Marcos dá uma energia positiva para jovens que passaram tantas dificuldades como ele. É uma mensagem de esperança”, afirma a documentarista Tetê Moraes, que acompanha os passos do estudante desde o nascimento e recentemente fez um curta-metragem sobre o filho de Rose.

Consciente de seu papel histórico para o MST, o futuro médico busca inspiração na própria história para honrar a peleja de Roseli. Com o filho nos braços, em um depoimento do filme Terra para Rose, ela dizia: “Espero que quando ele (Marcos) estiver grande, tudo isso não seja em vão. Que ele tenha um futuro melhor”

FONTE: MST

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20/05/2010

Greve em Petrópolis: nota do Sepe

Mobilização já conquistou avanços
A greve, junto com a perspectiva de entrada em greve dos companheiros da saúde, do Comdep, da Guarda Municipal, do Setrac, das agentes de saúde comunitária, entre outros setores, já conquistou uma vitória: finalmente obtivemos um posicionamento do governo a respeito da negociação. Uma comissão tirada pelo nosso comando de greve se reunirá nesta quinta (dia 20/5), às 15 horas na prefeitura.

Prefeito divulgou nota falsa na televisão sobre o fim da greve

Nesse momento,a mobilização é fundamental. É ela que vai garantir a força do nosso movimento.  Pode ser que algumas pessoas tenham ficado confusas, pois o prefeito veiculou uma nota na televisão dizendo que a greve acabou porque nós já abrimos negociações. Vamos esclarecer mais uma vez: Quem decide se saiu ou não da greve é a categoria, reunida em assembleia. Ninguém fala por nós! Além disso, vamos conversar com os companheiros que ainda têm medo por estarem em estágio probatório, com os que estão vacilantes. Vamos convencê-los a se unirem à luta. E, mesmo para aqueles que decidirem permanecer na escola, todos devem ir ao ato das 16 horas.

Na barraca do Sepe haverá um abaixo-assinado para toda a população que apoia a nossa luta. Vamos desmentir esse prefeito que afirma que a população está contra o movimento.

Às 16:00 haverá um ato em frente à praça da Câmara dos Vereadores, convocado para todos os servidores municipais, onde iremos informar as propostas do governo.  Precisamos estar todos juntos para analisarmos suas propostas e definirmos os próximos passos.

FONTE:








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Pedro II: seleção para professor. Até R$3.542Pedro II: seleção para professor. Até R$3.542

O Colégio Pedro II abriu seleção temporária para contratação de professores em diversas disciplinas. Os vencimentos iniciais, de acordo com a titulação, podem variar de R$2.124,20 a R$3.542,75. As inscrições poderão feitas pelo site do colégio a partir das 10h do próximo dia 17 até as 16h do dia 28 deste mês.

Os que não têm acesso à internet poderão se dirigir à unidade da instituição, em dias úteis, das 10h às 16h, situada no bairro de São Cristovão, onde haverá um computador disponível. Após preencher o formulário, é preciso imprimir a guia de recolhimento da União (GRU) e efetuar o pagamento da taxa, de R$20, em qualquer agência do Banco do Brasil, até o último dia do prazo de inscrição.

Até as 16h do último dia deverá ser enregue à Diretoria de Ensino do colégio o comprovante original da taxa de inscrição e os seguinte documentos: original e cópia de documento oficial de identidade; duas fotos 3x4, iguais e recentes; currículo acompanhado de fotocópia de documentos comprobatórios de todas as informações prestadas (inclusive a experiência profissional), além de apresentação dos originais para autenticação das fotocópias pelo servidor responsável pela inscrição; e fotocópia do diploma correspondente à exigência de sua disciplina , com apresentação do original para autenticação. Os candidatos que ainda não possuam diploma devem apresentar declaração de conclusão da Licenciatura Plena, explicitando a data da colação de grau, que deverá ser anterior à data de inscrição.

A solicitação de isenção da taxa poderá ser feita nos dias 17 e 18 deste mês, das 10h às 16h, no Protocolo Geral do Colégio Pedro II, em São Cristovão, pelos candidatos que estiverem inscritos no Cadastro Único para Programas Sociais do governo federal (CadÚnico) e for membro de família de baixa renda.

Os vencimentos iniciais são os segintes: R$2.124,20 (para quem possui graduação), R$2.178,45 (aperfeiçoamento), R$2.206,29 (especialização), R$2.5551,34 (mestrado) e R$3.542,75 (doutorado). Os professores ainda terão direito ainda a auxílios transporte e alimentação.

A seleção será composta pelas seguintes etapas: análise curricular, redação para análise de qualificação profissional, entrevista para análise do perfil profissional e entrevista com foco pedagógico. O resultado está previsto para o dia 29 de junho. O contrato é de um ano, renovável por mais um.

Embora a seleção seja para formação de cadastro, a Diretora de Ensino Médio do colégio, Eliana Myra, no meio do ano deverá ocorrer a convocação de muitos aprovados. O prazo de validade da seleção será de dois anos.

Inscrições online: AQUI

Edital de abertura. AQUI




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Cefet-RJ: 59 vagas para área de apoio. Até R$2.611



Os interessados no concurso para a área de apoio do Centro Federal de Educação Tecnológica Celso Suckow da Fonseca (Cefet) têm até o próximo dia 28 para se inscrever. São oferecidas 59 vagas em cargos técnico-administrativos, em todos os níveis de escolaridade. Das oportunidades, 39 são para contratação imediata e as demais para cadastro.


A remuneração varia de R$1.568,69 a R$2.611,83, incluindo R$304 de vale-refeição. A jornada de trabalho é de 40 horas semanais, exceto para a função de médico, com 20 horas. Os selecionados, que ainda terão direito a vale-transporte, poderão ser lotados nas unidades do Maracanã, Maria da Graça, Itaguaí, Angra dos Reis, Nova Friburgo, Nova Iguaçu, Petrópolis e Valença.


Do total de vagas, 12 são para o nível fundamental, 18 para o médio, três para o médio/técnico e 21 para o superior. Os cargos de assistente e auxiliar em administração exigem experiência mínima de um ano na função. Já para assistente de alunos é necessário possuir experiência de seis meses.


As inscrições podem ser feitas nos sites da Cefet ou da organizadora, Exatus Concurso . A taxa é de R$40 e o pagamento deve ser feito em qualquer agência bancária, mediante a Guia de Recolhimento da União (GRU). Após o candidato efetuar o pagamento, deve comparecer a um dos postos para confirmar a inscrição.


Aqueles que entraram com pedido de isenção poderão conferir a partir desta quinta-feira, dia 20, no site da organizadora, se tiveram o pedido aceito.


A prova objetiva será no dia 12 de junho e serão propostas 50 questões, sendo Português destinada a todos os candidatos. De acordo com o nível de escolaridade, ainda poderá haver avaliação de Informática, Legislação, Matemática e Conhecimentos Específicos. Aqueles que disputam as vagas dos níveis fundamental e médio serão aprovados se conseguirem 30 dos 100 pontos possíveis. Já nos níveis médio/técnico e superior são exigidos 45 pontos, sendo 15 de Conhecimentos Específicos. O concurso tem validade de um ano, prorrogável por igual período.
 
Consulte o edital: abertura do concurso

Serviço
Postos: Rua General Canabarro, 552, Maracanã, Rio

Estrada de Adrianópolis, 1.317, Santa Rita, Nova Iguaçu

Av. Governador Roberto Silveira, 1.900, Nova Friburgo

Rua do Imperador, 971, Centro Histórico, Petrópolis

Praça Guarda Marinha Greenharlg, s/n°, Centro, Angra dos Reis

Avenida Ari Parreira, 1.242, Engenho, Itaguaí

Rua Voluntários da Pátria, s/nº, Belo Horizonte, Valença.

FONTE: EXATUS E FOLHA
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19/05/2010

Rede municipal (RJ) participará de audiência pública sobre desvios de verbas da educação municipal

A assembléia geral da rede municipal, realizada no dia 15 de maio, no Sepe,  decidiu que a categoria vai se mobilizar para participar de uma audiência pública na Câmara de Vereadores sobre a não aplicação do índice de 25% da arrecadação no setor da educação pública municipal. Para a audiência serão convocados representantes do governo municipal, que terão que explicar para os vereadores a inclusão da prefeitura do Rio no CAdastro Único de Convênios (CAUC), do governo federal, por que o município não vem aplicando os 25% no setor educacional nos últimos anos. Recentemente, a Justiça Federal negou um recurso impetrado pela prefeitura para retirar o município do cadastro. Com a decisão, o município fica impedido de renovar contratos que permitem o pagamento de benefícios, como o Bolsa Família e o recebimento de investimento voluntário por parte do Tesouro Nacional.

A denúncia só vem confirmar as acusações que o Sepe tem feito ao longo dos últimos anos sobre o desvio por parte do governo municipal das verbas da educação.´

O juiz Flávio Oliveira Lucas, da 18ª Vara Federal proferiu a sentença cassando uma liminar favorável ao município e condenando-o a ser incluído no CAUC. NO entendimento do magistrado, a prefeitura informava erroneamente a aplicação em Educação do chamado ganho do Fundeb. Em vez de investir 25% da arrecadação dos impostos na área, o governo municipal tem informado que gasta em educação as verbas detinadas por outros órgãos para o fundo.
 
O desvio vem ocorrendo desde 1998, mas só agora houve derrota na Justiça. O Tribunal de Contas do Município já aponta a discrepância há cinco anos em pareceres sempre ignorados pela prefeitura. Segundo a vereadora Andréa Gouvea Vieira, nesse período a Educação municipal deixou de receber R$ 6 bilhões. Em 2009, foram aplicados a menos R$ 600 milhões.










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18/05/2010

SER MERENDEIRO (A) É CRIME?


Vereadores serão chamados a depor



Delegado quer esclarecer se homem filmado na Câmara de Nova Iguaçu é um suspeito ou só um merendeiro com salário atrasado


O delegado da 52ª DP (Nova Iguaçu), Júlio César Vasconcellos, pretende ouvir amanhã os vereadores Marcos Fernandes (DEM) e Thiago Portela (PPS) para esclarecer a versão apresentada por Moisés da Silva Oliveira, 38 anos, que fora filmado pelo circuito de vídeo da Câmara de Nova Iguaçu, com uma filmadora na sessão de terça-feira. Os políticos consideraram estranha a presença do homem no plenário com a câmera e levaram a gravação para a delegacia. 

Ele foi considerado suspeito de participar de uma organização criminosa e as imagens estão sendo analisadas.

Moisés se apresentou à DP na sexta-feira. Ele alegou ser apenas merendeiro de uma empresa terceirizada, que passa necessidade por estar há dois meses com o salário atrasado.

Segundo o delegado, ele será ouvido de novo, com duas merendeiras que confirmariam sua versão. 
O policial disse que só após ouvir os envolvidos, confirmar as informações e receber o laudo técnico das imagens, terá uma definição sobre o caso.

Moisés alegou em depoimento que trabalha na Escola Newton Gonçalves de Barros, em Jardim Nova Era, e está com o salário atrasado desde fevereiro. Ele disse ainda que pretendia gravar a sessão para mostrar aos colegas o que foi discutido por vereadores sobre o atraso no pagamento, mas não chegou a filmar por dificuldade de ângulo. Ele entregou cópia do contracheque na DP.

A assessoria da prefeitura confirmou o atraso no pagamento dos merendeiros terceirizados e que, após levantamento das secretárias, suspendeu contratos com algumas cooperativas. Ainda segundo a assessoria, a Câmara aprovou a contratação de 320 merendeiras, por 12 meses. O contrato será feito diretamente entre prefeitura e trabalhadores, priorizando os terceirizados.



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Kátia Abreu contra todos

 
A senadora Kátia Abreu (Arena/PFL/DEM-TO) participou ativamente de um seminário organizado pelo jornal da oligarquia brasileira O Estado de S. Paulo, na semana passada, para debater os problemas da região Centro-Oeste do país.

A latifundiária foi enfática ao expor que o principal problema da região e do país atualmente é a “relativização do direito de propriedade”, em declaração publicada em reportagem do jornal .

Nada de falta de escolas e hospitais, moradias inadequadas para a sobrevivência, saneamento básico nas periferias, desemprego, violência... Nada disso.

Muito menos a concentração de terras, que está acima da média nacional no Centro-Oeste e em tendência de alta.

Bem interessante para quem quer ser vice na chapa de José Serra à Presidência da República.

"Relativização que às vezes vem disfarçada de ambientalistas, sem-terra, índios e negros, com a destruição do nosso desejo de paz e tranquilidade", afirmou a latifundiária-senadora.

Ou seja, com exceção dos 0,91% dos proprietários (menos de 50 mil) que concentram mais de 43% das áreas agricultáveis (cerca de 146 milhões de hectares) no Brasil, todos representam uma ameaça à “paz e tranquilidade”.

Como disse a insuspeita jornalista Míriam Leitão, em sua coluna no jornal O Globo, a senadora merece de fato o título de "Rainha Medieval do Brasil".

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17/05/2010

Professores da rede estadual devem se recusar a realizar tarefas que não tenham a ver com o trabalho docente

Sobre as notas na conexão professor


Diante da exigência da SEEDUC  de que os professores lancem as notas via internet e por falta de orientações claras sobre a realização da tarefa, divresas direções de escola estão exigindo que professores utilizem lan house , caso haja algum problema  com o laptop ou a conexão,  e que utilizem seu horário de recreio, de almoço, de planejamento ou fim de semana para isso.

A falta de concurso para funcionários administrativos, que prejudica o trabalho das secretarias das escolas, fica evidente nesse momento. A tarefa de lançamento de notas no sistema pertence às secretarias e, já que não há pessoal suficiente, a SEEDUC repassa o trabalho para os professores.

Além de não ser parte do trabalho do professor o lançamento das notas no sistema e sim da secretaria da escola, a sobrecarga de trabalho fica evidente. A utilização do horário livre é trabalho não remunerado e o horário de planejamento já não é suficiente para as atuais tarefas, que consistem em preparar aulas, corrigir  exercícios e provas e preenchimento de fichas e diários .A utiliização do horário de aulas seria um prejuízo ainda maior para os alunos que já amargam a falta de professores , funcionários e condições precarias das escolas.

O SEPE/RJ orienta os profissionais da educação a não utilizarem os horários livres , de planejamento ou de aulas  para tal tarefa. 

A SEEDUC deve definir o horário  a ser utilizado para tal tarefa, ou se pagará hora-extra.

Segunda -feira, dia 17 de maio, teremos audiência com a SEEDUC e colocaremos a questão.

Entidade acredita que houve exagero de vereadores com merendeiro-Nova Iguaçu


Conselho quer um pedido de desculpa


Entidade acredita que houve exagero de vereadores com merendeiro

Mais notícias sobre o caso AQUI

Rio - O presidente eleito do Conselho Municipal de Defesa dos Direitos dos Negros, Geraldo Bastos, vai pedir que a Câmara de Vereadores de Nova Iguaçu faça pedido de desculpas públicas ao merendeiro Moisés da Silva Oliveira, 38 anos, gravado pelo circuito de vídeo com filmadora numa sessão e considerado suspeito de pertencer a uma organização criminosa. Geraldo afirmou que pretende conversar hoje com o presidente da Câmara, Marcos Fernandes (DEM).

“Como militante do movimento negro, percebi que houve um exagero na abordagem do caso. Com certeza, se fosse um homem de terno e gravata não teria problema”, justifica Geraldo, que foi eleito no início do mês e toma posse no conselho no dia 27. 

Imagens em análise


Na terça-feira, alguns vereadores consideram estranha a atitude de Moisés, que estava com uma filmadora e parecia observar o local. Eles levaram o vídeo do circuito interno de segurança para a 52ª DP (Nova Iguaçu). As imagens foram enviadas para análise do Instituto Felix Pacheco. No entanto, na sexta-feira, Moisés se apresentou na delegacia e alegou ser apenas merendeiro terceirizado, que passa por necessidades porque está com o salário atrasado há dois meses.

O problema dos merendeiros terceirizados estava em pauta na Câmara e Moisés disse que pretendia filmar a sessão para mostrar o que seria decidido aos colegas. 
 

Em depoimento, alegou que trabalha na Escola Newton Gonçalves de Barros, no Jardim Nova Era. A assessoria de imprensa da prefeitura confirmou o atraso no pagamento dos merendeiros e que já suspendeu o contrato com algumas cooperativas.

O delegado da 52ª DP, Júlio César Vasconcellos, também pretende ouvir hoje os vereadores Marcos Fernandes e Thiago Portela (PPS), além de duas merendeiras que estariam na Câmara no mesmo dia, para esclarecer a versão apresentada por Moisés. Segundo o delegado, só após ouvir os envolvidos, confirmar as informações e receber o laudo técnico das imagens, poderá ter uma definição sobre o caso.

 Fonte O Dia

16/05/2010

A influência de Marx na educação

Por: ROBERTO GIANCATERINO

Educar é um desafio social. Assim sendo, esta prática pode tornar-se um instrumento mobilizador para com a situação atual em que vive a população ou ainda ser um meio de alienação. Convém ressaltar, que são inúmeros os interesses políticos, sociais e econômicos que coordenam toda a ação pedagógica e fazem da educação sinônimo de acomodação. Criticar ou contradizer qualquer que seja o trabalho político desenvolvido é motivo de repressão, de anarquia e/ou vandalismo. Ao povo é preciso aceitar a situação de pobreza, dominação e exploração, opor-se é ser revolucionário. Portanto, é preciso que o homem cidadão busque no seu passado um princípio filosófico de vida para que assim seja capaz de refletir a atualidade. 

Marx acreditava que a educação era parte da superestrutura de controle usada pelas classes dominantes. Por isso, ao aceitar as idéias passadas pela escola à classe dos trabalhadores (que Marx denominava classe proletária) cria uma falsa consciência, que a impede de perceber os interesses de sua classe. Assim, Marx concebia uma educação socializada e igualitária a todos os cidadãos.


Versar sobre os paradigmas e suas contribuições para o processo educacional, não é um trabalho fácil, exige a localização da relação sujeito-objeto como um eixo central. A história da filosofia tem demonstrado ser esta preocupação e é um dos principais problemas da filosofia. Assim, compreender a relação sujeito-objeto é compreender como o ser humano se relaciona com o ambiente, com a natureza, em suma, com a vida (Gramsci, 1991).


Marx não via com bons olhos uma educação oferecida pelo Estado-Nação burguês, capitalista, basicamente por desacreditar no currículo que ela traria e na forma como seria ensinado. Mesmo que tenha defendido a educação compulsória em 1869, Marx opunha-se a qualquer currículo baseado em distinções de classe. Defendia a educação técnica e industrial, mas não um vocacionalismo estreito, essas idéias tiveram um impacto posterior na educação, especialmente no que diz respeito à educação tecnológica.


Para Ghiraldelli Junior (2003), as idéias de Marx, conta-se tipicamente, a percepção do mundo social pela categoria de classes, definida pelas relações com os processo econômicos e produtivos, a crença no desenvolvimento da sociedade além da fase capitalista através de uma revolução do proletariado. Na prática, o marxismo é um comprometimento com as classes exploradas e oprimidas, e com a revolução que deverá melhorar sua situação.


Um ponto forte do marxismo  como filosofia é que ela fornece uma visão da transformação social e promove uma visão da ação humana determinada a levar adiante essa transformação. Ela retrata um mundo onde as coisas não são fixas e luta por mudança. Por essas características, o marxismo, muitas vezes, tem um apelo àqueles que se vêem como oprimidos. Além disso, enfatiza um ideal de poder social para as classes menos favorecidas, dessa forma, têm um forte elo para aqueles que vivem sob regimes ou em circunstâncias que demonstram pouca preocupação com a classe mais pobre.


No Brasil as obras de Marx começaram a ser mais divulgada depois da fundação do Partido Comunista do Brasil, isto é, a partir de 1930. Ainda nesta época o educador Paschoal Lemme considerado marxista, publica um trabalho sobre o ensino dos adultos e organiza cursos para operários no Distrito Federal.


Neste documento pode ser visto algumas características do marxismo que o influenciava. Contudo, Lemme (1988:213), “argumentou que só algum tempo mais tarde, principalmente, a partir de 1933, influenciado pelos acontecimentos político-sociais que vinham se desenrolando no mundo e no país, é que se interessou mais de perto pelo estudo dessas questões, ou seja, as obras de Marx”. Vale salientar, os pressupostos do pensamento neoliberal estão povoando a educação nacional e disputam uma nova configuração educacional, especialmente no que diz respeito às políticas de formação profissional.


Todavia, todo e qualquer processo relacionado com a educação é lento, o que induz a persistência e luta dos ideais, pois somente então poderá haver a concretização do saber teórico com a prática, o que será motivo de muitas contradições e ao mesmo tempo de aprendizagem, e isto, têm início em cada um de nós.


Antigamente, a educação existia principalmente para a sobrevivência. As crianças aprendiam as habilidades necessárias para viver. Gradualmente, entretanto, as pessoas passaram a usar a educação para uma grande variedade de funções.


Hoje em dia, a educação ainda pode ser usada para sobrevivência, mas também ajuda proporcionar um melhor uso do tempo dando maior refinamento à vida social e cultural. O homem depende da educação e ela está presente no seu cotidiano. Porém, existem diferentes concepções de educação e diferentes modelos. Sua prática vai além da escola e abrange desde sociedades primitivas até as sociedades mais desenvolvidas e industrializadas.

Assim como a prática da educação desenvolveu-se, as teorias da educação seguiram o mesmo caminho, no entanto, tornou-se fácil não vermos a conexão entre a teoria filosófica e a prática educacional bem como lidar como a prática separada da teoria.

Para Ozmon e Craver (2004), a filosofia da educação começou quando as pessoas se tornaram conscientes da educação como uma atividade humana diferenciada. As sociedades pré-alfabetizadas não tinham os objetivos em longo prazo e os sistemas sociais complexos dos tempos modernos nem possuíam as ferramentas analíticas dos filósofos modernos, mas mesmo a educação da pré-alfabetização envolvia uma atitude filosófica com relação à vida. Em essência a filosofia da educação é aplicação de princípios fundamentais da filosofia à teoria e ao trabalho da educação.

Para Enguita (2004), um dos debates mais insistentes e repetidos em torno da instituição escolar, sempre foi à questão de evidenciar o seu papel, que era reprodutor ou transformador, isto é, se contribuía para conservar a sociedade ou mudá-la. Até certo ponto, era trivial, pois, por um lado nenhuma sociedade poderia substituir sem formar seus membros em certos valores, habilidades, etc. e, por isso, toda educação é reprodutora; mas ao mesmo tempo, nenhuma sociedade atual seria, sem a escola, o mesmo que chegou a ser com ela, e, por isso, toda educação é transformadora.

Pela educação o ser humano aprende como se criam e recriam as invenções de uma cultura em uma sociedade. Cada povo, cada cultura, apresenta sua educação. Ela pode ser imposta por um sistema centralizado de poder ou existe de forma livre entre os grupos. Pela educação se pensa tipos de homens, pois ela existe no imaginário das pessoas e na ideologia dos grupos sociais, cuja missão é transformar sujeitos e mundos em algo melhor a partir da imagem que se tem uns dos outros (Brandão, 1984).

A educação tende a ser considerada como elemento conservador da sociedade, mas por ser um instrumento formador e de expressividade em qualquer tipo de sociedade, não pode e nem deve ser vista dentro de limites fechados, analisada independentemente do contexto sócio-político e econômico em que vive tal sociedade. Deve ser encarada como parte integrante e necessária de um sistema, já que é usada de acordo com seus interesses.

Podemos dizer que a educação é um reflexo da política adotada em um país e do interesse desse país em coordená-la, é um dos maiores instrumentos de dominação em massa dentro de um sistema, perdendo apenas para a mídia que é acessada por muito mais pessoas do que o sistema educativo.

Neste contexto, Delors (2004:82) lembra:
Um dos principais papéis reservados à educação consiste antes de tudo, dotar a humanidade de capacidade de dominar o seu próprio desenvolvimento. Ela deve, de fato, fazer com que cada um tome o seu destino nas mãos e contribua para o progresso da sociedade em que vive, baseando o desenvolvimento na participação responsável dos indivíduos e das comunidades.
Reinventar a educação é urgente além de que é preciso dessacralizá-la para se crer nela e acreditar ainda que, diferentes tipos de homem criam diferentes tipos de educação. Mais do que poder, a educação atribui compromissos entre as pessoas, a educação da comunidade, da escola, a oposição entre a educação-de-educar e a educação-de-instruir, a passagem da aprendizagem coletiva para o ensino particular, o controle do Estado, faz lembrar a educação grega.

Em todas as classes se cria e recria uma cultura de classe e formas de educação do povo. A cultura popular faz parte de sistemas populares de vida e de representação da vida, e tem uma lógica e densidade dentro da própria sociedade.


Para promover educação para uma sociedade em mudança, é necessário saber que se educa para a mudança, como parte e resultado dela. Educa-se não só para que o indivíduo desempenhe melhores os mesmos e antigos papéis, mas, sobretudo, para que se desempenhem novos papéis em uma sociedade que se renova, tornando os indivíduos os próprios fatores conscientes da renovação social e para que se saiba que um processo de mudança social exige a mudança da estrutura social, para que assim se possa atender às novas e crescentes exigências do homem numa sociedade emergente.

Neste sentido, Brzezinski, (apud Libâneo, 1998:32) assim assinala:
Presente em novas realidades econômicas e sociais, especialmente os avanços tecnológicos na comunicação e informação, novos sistemas produtivos e novos paradigmas do conhecimento, impõem-se novas exigências sobre a qualidade da educação e, por conseqüência, sobre a formação dos educadores.
Estamos diante de produtos inovadores e de grande impacto social, agora entram em cena o computador aliado à Internet e taxado como “máquinas de ensinar”, que trazem uma superinformação contraditória, a desinformação de uma grande parte da população que não possui acesso a esses instrumentos tecnológicos e nem ao menos a simples leitura e escrita para uso crítico.


Como entender que nunca a humanidade teve tanta capacidade científica e técnica para satisfazer as necessidades humanas e chegamos ao novo século com mais da metade da população excluída? Da mesma forma, a escola não tem recursos para utilizar-se desses meios inovadores na educação para trabalhar com as exigências da atual sociedade.

Todavia, o projeto moderno de educação é otimista sobre as possibilidades da natureza humana e também o é do ponto de vista histórico, porque contribui para a libertação exterior do homem e da mulher em relação aos poderes que os fazem menores de idade, situando o indivíduo na sociedade e no mundo, dependendo do que ele faz e constrói.


A educação ligou-se estreitamente à esperança da libertação social daqueles que obtivessem frutos que a educação promete, configurando uma sociedade aberta e móvel, na qual a hierarquia estabelecida em relação ao binômio educação-profissão substitui as hierarquias devidas à origem social (Imbernón, 1999).


Sabe-se que a prática de ensino e de aprendizagem não muda como um decreto. As mudanças exigidas passarão por uma espécie de revolução cultural, que será vivida pelos professores e só então poderão ser repassadas aos alunos. É inegável que o professor deve ser um profissional competente e compromissado com seu trabalho, com visão de conjunto do processo de trabalho escolar. Deseja-se um profissional capaz de pensar, planejar e executar o seu trabalho e não mais aquele ser habilidoso para executar o que os outros concebem.


Os filósofos educacionais, independentes de sua teoria particular, sugerem que a solução para os nossos problemas pode ser mais bem alcançada por meio de um pensamento crítico e ponderado sobre a relação entre mudanças perturbadoras e as idéias resistentes (Ozmon e Craver, 2004).


A mudança é um processo que vai se construindo aos poucos, de acordo com o nível de desenvolvimento de cada sociedade, como conseqüência das mudanças de maneiras para suprir suas necessidades, o homem muda também os padrões de cultura no decorrer dos anos, porém: “muda a sociedade e somente mais tarde muda a educação” (Libâneo, 1998:153).


Lembrando que, a filosofia da educação, apenas se torna significativa quando os educadores reconhecem a necessidade de pensar claramente sobre o que estão fazendo e de ver o que estão fazendo em um contexto maior de desenvolvimento individual e social. Uma vez que, o estudo da filosofia não garante que as pessoas serão melhores pensadores ou educadores, mas propõe perspectivas válidas que nos ajudam a pensar de maneira mais clara. 
Com base nas idéias de Marx pode-se inferir que educar é um desafio social. Assim sendo, esta prática pode tornar-se um instrumento mobilizador para com a situação atual em que vive a população. É preciso superar uma sociedade voltada à produção aos bens de consumo, que despreza a natureza humana e histórica. O ser humano precisa ser respeitado em sua totalidade, em suas potencialidades, modo de expressão e de pensar, ter o direito a uma educação igualitária baseada em princípios democráticos e não de escravidão.


Lembrando que, em vez de serem independentes das mazelas da sociedade, as escolas são umas das partes integrais do sistema capitalista e, como tal, seu potencial para a reforma está bastante limitado. Apenas com a reforma do sistema político e econômico o ensino poderá ter algum efeito na emancipação dos menos favorecidos.

A dialética por si abre caminhos para a busca e concretização destes ideais, entretanto, é uma luta constante e necessita muita perseverança, sendo a educação uma alternativa de se elucidar tais problemas. Faz-se conveniente evoluir um pensamento e atos, pois somente assim o homem se sentirá capaz no que realiza.

Neste sentido, Marx contribuiu para a educação do homem moderno, em sua teoria educacional, o marxismo, mistura a teoria e a prática e apresenta aos aprendizes a necessidade crucial da atividade racional e um sentido de responsabilidade social necessário para uma existência mais humana. 
Fonte: aqui 

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