23/02/2011
Filiação do ANDES-SN à CSP- Conlutas é aprovada no 30º Congresso do Sindicato Nacional
A unidade da classe trabalhadora permeou as várias intervenções de um dos mais aguardados temas da plenária do 30º Congresso do ANDES-SN: a filiação do Sindicato Nacional à Central Sindical e Popular (CSP- Conlutas), deliberada na noite deste domingo (20), último dia das atividades.
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Antes da votação, no púlpito, a maioria dos delegados defendeu a filiação. O relacionamento com os movimentos sociais e internacionalistas e a preservação da independência sindical foram reiteradamente citados como pontos convergentes entre o horizonte de luta do ANDES-SN e o projeto da CSP-Conlutas.
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Francisco Miraglia, encarregado sindical da diretoria do ANDES-SN, ressaltou que o Sindicato vem lutando para reunir os diversos setores da classe trabalhadora em torno de um novo projeto de sociedade. “O ANDES-SN está na construção de uma articulação de grande porte, que junta o movimento sindical, o movimento popular e uma parcela importante do movimento estudantil. Investe tempo e energia política em reconstituir o conjunto classista e combativo que convocou o Conclat para a consolidação de um amplo fórum de todos os movimentos de luta contra as opressões que queiram resistir aos ataques do governo, da burguesia e da elite deste país. A gente trabalha para construir este fórum, proposto por este sindicato. Queremos trabalhar no nível de organização no interior da CSP-Conlutas, no nível da rearticulação de um fórum combativo e com todos aqueles que querem enfrentar o capitalismo”.
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Luiz Mauro, 2º vice-presidente do ANDES-SN, testemunhou a experiência de sua Seção Sindical com relação à vivência concreta da organização pela base, com autonomia, que, segundo o professor, denota o enraizamento da Central. “A CSP-Conlutas é experiência fundamental para a classe. Sabemos o que é a construção com movimentos sociais, é nova e riquíssima. Sabemos e temos vivenciado estrutura horizontal. Vivemos o que era a dificuldade de ter alguma proposta minimamente levada de forma democrática. O 30º congresso deve, sim, aprovar a filiação já”, argumentou.
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Para Rodrigo Dantas, da Adunb, a questão é crucial para o debate político, para o Sindicato Nacional e para a relação com o conjunto da classe trabalhadora. “É preciso colocar o tema em perspectiva histórica. Estamos discutindo há sete anos. Há sete anos nós vemos nos nossos CONADs e Congressos afirmando como eixo central da nossa política a articulação com movimentos sociais para reconstruir a unidade da classe trabalhadora. Fomos parte fundamental do processo de elaboração do que é a CSP-Conlutas. É preciso observar as elaborações nossas que foram absorvidas quase que totalmente pela Central”.
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Aldisio Costa, da Adufepe, se posicionou contrariamente à filiação. “Nós ouvimos aqui, durante todo o Congresso, a dificuldade que temos hoje em nossas bases, até para construir diretoria. Esta construção não está avançada no seio de nossas bases. É preciso primeiro formar consciência dos docentes”, pontuou.
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A professora Claudia Durans, da Apruma, defendeu que o Congresso aprovasse a filiação por identificar a central como um polo aglutinador das lutas sociais. "Nós todos estamos muito orgulhosos da trajetória de nosso Sindicato. É diferenciado, porque reúne professores de diversas áreas e porque não se preocupa só com as questões específicas dos docentes. Vimos que ao longo da história sempre se posicionou. Contribuo no GT Etnia, Gênero e Classe discutindo a questão das opressões, e identifico que a única central sindical que concretamente unifica a luta de todos os oprimidos é a CSP-Conlutas”.
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“Não há licença sabática nesse caso, mas lembro que foram sete anos pra entrar na CUT, sete anos pra sair. Não quero esperar mais sete anos. Vamos respeitar a decisão coletiva que este sindicato vem reiteradamente tomando. Não é possível que fiquemos dizendo que a filiação não foi discutida”, lembrou o professor Edmundo Dias, da ADUNICAMP.
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Já Marcos Souza, da Apes-jf, explicitou preocupação com o momento político e defendeu o adiamento da decisão. “Estamos perdendo bases com companheiros valorosos. Não discordo de que devamos ter associação com uma central autônoma e classista, mas o dever de casa (trabalho de base) ficou muito difícil. O único documento a esse respeito para a base está no Caderno de Textos do Congresso. Por isso, indico que discutamos em 2012”.
“Chegamos a esse momento derradeiro numa demonstração de sucesso significativo no sentido de aprovar os TRs, com discussão ampla, em que nenhum momento a diversidade foi ocultada, temos um plano de comunicação a desenvolver, uma carreira pras nossas seções sindicais. Esse momento derradeiro torna-se mais importante porque podemos ratificar nossa perspectiva classista. O ANDES-SN sempre esteve, está e estará ao lado da classe trabalhadora. Temos que colocar o bloco na rua agora. Aprendi na militância: respeito o conjunto da base porque eu trabalho com a base, eu não falo por ela. Esse TR vai nos permitir levar para as Seções Sindicais a necessária condição de fortalecemos essa unidade de classe que tanto desejamos”, discordou Rubens Rodrigues, também da Apes-jf.
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A filiação do ANDES-SN à CSP-Conlutas foi aprovada por 134 votos favoráveis, 39 contrários e 23 abstenções.
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A CSP-Conlutas foi fundada durante o Congresso da Classe Trabalhadora (Conclat), em junho de 2010, com a presença de mais de 3000 delegados. O ANDES-SN participou do Conclat com delegados de base e diretoria. O 55º CONAD reconheceu que havia sido fundada uma nova Central e referendou a participação do ANDES-SN na Secretaria Executiva Nacional Provisória, eleita no Conclat. Para contribuir no processo de articulação com setores que não integram hoje a nova entidade e que se inserem no campo classista, o 55º CONAD também aprovou a atuação do ANDES-SN na perspectiva de diálogo com estes destes setores.
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O estabelecimento de um prazo de um ano para a realização de um balanço do processo de reorganização em relação à Central, tendo como referência as resoluções do Sindicato Nacional dobre estratégia, natureza e unidade do campo combativo e classista, e a deliberação de encaminhamentos derivados deste balanço no 31º Congresso, em 2012, também foram aprovados na plenária.
Fonte: ANDES-SN
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Improvisação inconstitucional : MP justifica contratos precários em novas Ifes
Uma Medida Provisória (no 525) editada pela presidente Dilma Rousseff e encaminhada na última segunda-feira (14/2) ao Congresso Nacional inclui a expansão das Instituições Federais de Ensino Superior na categoria de “excepcional interesse público”, para se eximir da responsabilidade de criar vagas nos quadros permanentes das Ifes e justificar contratos precários de docentes.
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A MP altera a lei 8745, que versa sobre a contratação de professores, e estabelece que vagas de profissionais de ensino em novas instituições poderão ser ocupadas por professores temporários, sem a obrigatoriedade da promoção de concursos. O mecanismo também valerá para preencher cargos que ficam descobertos quando docentes assumem vagas de reitor, pró-reitor, vice-reitor ou diretor do campus.
Na avaliação do ANDES-SN, a medida institucionaliza a precarização do trabalho docente e do ensino superior público e de qualidade: além de salários menores, é vetado o direito a férias e o acesso ao plano de carreira a estes trabalhadores. De acordo como o texto da MP, a contratação de temporários deverá limitar-se ao prazo de dois anos. O que não está claro, contudo, é se a vaga poderá ser preenchida por outro professor na mesma condição. Em relação aos professores substitutos, fica estabelecido um limite de 20% do total de professores efetivos em cada instituição.
A liberação de contratação de temporários se dá ao mesmo tempo em que o governo federal anuncia um corte de R$ 50 bilhões do Orçamento. “A MP é editada em um momento em que são anunciados o congelamento de vagas e a suspensão de concursos para efetivos. Esta nos parece uma improvisação inconstitucional para resolver situações caóticas”, avalia Marina Barbosa, presidente do ANDES-SN.
A MP está na pauta de discussão do 30o Congresso do ANDES-SN, que reúne mais de 400 professores nesta semana em Uberlândia (MG).
Fonte: ANDES-SN
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Universidades sofrerão corte de 10% no orçamento para custeio
Redução para a UnB pode chegar a R$ 12 milhões. MEC também pediu diminuição nos gastos com passagens e diárias.
O corte no orçamento do governo federal vai reduzir em 10% as verbas para custeio das universidades federais. A informação foi dada pelo secretário de Ensino Superior do Ministério da Educação, Luiz Cláudio Costa, aos reitores das universidades federais.
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O orçamento da UnB para 2011 prevê R$ 127 milhões para despesas de custeio – gastos com material de consumo, água, luz e programas de assistência. Ou seja, o corte deve ser da ordem de R$ 12 milhões. "É um valor alto, ainda mais se considerarmos que os recursos do governo já não são suficientes para manter as nossas atividades", afirma o reitor em exercício João Batista de Sousa. "Nós vamos ter que conversar com as unidades acadêmicas para ver o que pode ser cortado ou adiado para 2012".
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Na reunião com os reitores, o secretário de Ensino Superior pediu compreensão, uma vez que o Ministério da Educação foi um dos que menos sofreu com o corte de R$ 50 bilhões no orçamento da União. O orçamento federal será reduzido em 2,5%. No MEC, essa diminuição chega a 1,7%.
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Ainda assim, a UnB pode ter prejuízo. "A situação é difícil, e tudo indica que este será um ano muito duro", diz o decano de Administração e Finanças, Pedro Murrieta. Os recursos do governo correspondem a 68% dos gastos da UnB. O restante é coberto com a captação própria da universidade, como, por exemplo, os concursos e seleções realizados pelo Cespe.
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O problema é que o governo federal também anunciou uma redução no ritmo de concursos públicos, que renderiam à UnB cerca de R$ 35 milhões em 2011. Por outro lado, o reitor em exercício João Batista lembra que a empresa pública que vai gerir os hospitais universitários deve absorver grande parte dos gastos do HUB. "Haverá mais dinheiro vindo para a gestão do HUB, o que pode ajudar".
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O Ministério da Educação também pediu que as universidades reduzam seus gastos com diárias e passagens em 50%. João Batista disse que vai tentar reverter esse pedido, uma vez que ele afeta diretamente as atividades-fim da universidade – ensino, pesquisa e extensão. "Os reitores vão atuar politicamente para que esse corte não ocorra", afirmou.
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Histórico de depressão reprova professores
Mariana Mandelli - O Estado de S.Paulo
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Professores aprovados no último concurso para a rede estadual de São Paulo estão impedidos de assumir seus cargos por terem tirado, em algum momento de suas carreiras, licenças médicas por motivo de depressão. Por essa razão, devem continuar com contratos temporários. Especialistas afirmam que a decisão é preconceituosa.
O Estado conversou com dois professores que passaram por todo o processo do concurso que selecionou docentes para atuar no ciclo 2 do ensino fundamental. O concurso tem diversas etapas: prova inicial, curso de preparação (que dura cerca de quatro meses), prova pós-curso e diversos exames de perícia médica - fase na qual foram "reprovados". Docentes míopes e obesos também foram impedidos de assumir seus cargos nessa mesma seleção.
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Jair Berce, de 36 anos, que leciona na rede pública desde 1994 com contrato temporário, é um dos barrados. Ele conta que, na primeira perícia, foi considerado apto. Seu nome foi publicado no Diário Oficial em 8 de janeiro, na lista dos professores nomeados. No entanto, no dia 26, Berce foi convocado para uma nova perícia. O psiquiatra questionou as licenças médicas que ele havia tirado em 2003 (cinco dias afastado) e em 2004 (duas vezes: dez dias e depois duas semanas).
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"Eu nem lembrava mais disso, foi há tanto tempo. Tomei fluoxetina (um tipo de antidepressivo) por seis meses. Hoje não tomo mais, estou muito bem. Foi um período difícil na minha vida: minha mãe tinha morrido, minha irmã tinha sofrido um acidente e eu estava terminando minha tese", lembra. Berce é formado em Ciências Sociais pela USP e tem mestrado em Antropologia pela PUC-SP. Ele também leciona na rede municipal de Barueri.
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Nessa mesma perícia, Berce passou pelo teste de Rorschach - que consiste em interpretar dez pranchas com imagens formadas por manchas simétricas de tinta. "Depois que soube da reprovação, pedi para ver o prontuário. Nele, havia a seguinte anotação: "visto avaliação psicológica F-32 - sugiro temerário o ingresso" e "não apto"", conta. F-32 é o código da Classificação Internacional das Doenças (CID) para depressão.
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O professor C.Z., de 34 anos, que, assim como Berce, leciona Sociologia, atua na rede estadual há dez anos e foi vetado no concurso pelo mesmo motivo. No ano passado, ele terminou um casamento de cinco anos e precisou se afastar do trabalho. "Foi um período difícil, que me consumiu muito e fui orientado a procurar um psiquiatra para tirar uma licença", lembra ele.
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Z. ficou um mês fora da sala de aula. "Eu nunca havia tirado licença do trabalho. E nunca tomei remédio", afirma. Segundo ele, na perícia do concurso, o médico marcou "não apto". "Eu vi quando ele escreveu e perguntei o porquê. Ele disse que era por causa da licença. Tentei argumentar e explicar os motivos, mas ele não quis me ouvir."
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Os dois professores continuam dando aulas como temporários. "É contraditório: como posso continuar trabalhando se eles me vetaram?", questiona o professor Berce.
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Ambos recorreram da decisão e foram convocados para novas perícias, que devem ocorrer nesta semana (mais informações nesta página).
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Discriminação. A psiquiatra da Unifesp Mara Fernandes Maranhão afirma que vetar um docente pelo fato de ele ter tido depressão é preconceito. "Toda pessoa está sujeita a passar por situações difíceis", explica. "Aquelas que têm propensão ou componente genético desenvolvem processos depressivos."
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Segundo Mara, são poucos os quadros realmente curáveis, já que há grande chance de recorrência. "Mas a doença é tratável e, com acompanhamento, o paciente pode voltar a trabalhar normalmente. Não existe razão para rejeitá-lo."
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Eli Alves da Silva, presidente da Comissão de Direito Trabalhista da OAB-SP, concorda. "Essa pessoas estão sendo discriminadas pelo próprio Estado, que é quem deveria combater esse tipo de coisa."
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Para o Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo (Apeoesp), o governo deve "propor acompanhamento a todos os casos de professores com problemas de saúde e não alijá-los do trabalho". A entidade ressalta que seu departamento jurídico tem ingressado com ações na Justiça para garantir aos professores nessa situação o direito de lecionar.
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22/02/2011
Veja os 10 Princípios do Forum em Defesa da Escola Pública que serão lançados na UERJ nesta quarta (dia 23/2)
Nesta quarta-feira (dia 23 de fevereiro), às 14h, no auditório 71 da UERJ, ocorrerá o Ato de Lançamento dos Princípios que norteiam a ação do Fórum Estadual em Defesa da Escola Pública (FEDEP). O Fórum foi criado durante a realização do Seminário de Educação do Sepe, em novembro de 2010 e dele participam representantes de entidades diversas ligadas à área educacional (universidades públicas federais e estaduais), movimentos sindicais, trabalhadores sem-terra, educadores das redes públicas e das universidades, estudantes secundaristas e universitários. O principal objetivo da criação do fórum é articular a ação dos educadores e dos movimentos sociais na a luta pelo resgate da educação pública e de qualidade no estado do Rio de Janeiro e em nível nacional.
Veja quais são os 10 Princípios do Fórum em Defesa da Escola Pública:
1 - Defender a educação pública, gratuita, laica, democrática e de qualidade social, em todos os níveis, como um direito social universal e dever do Estado
2 - Exigir do poder público a garantia de acesso e de permanência, assegurando efetiva assistência estudantil (moradia, transporte, meia entrada nos eventos culturais, bolsa de manutenção etc.)
3 - Defender a organização de um efetivo Sistema Nacional de Educação que articule e garanta o cumprimento das responsabilidades educacionais dos diferentes entes federais
4 - Defender a aplicação imediata de montante equivalente a, pelo menos, 10% do PIB na educação pública em todos os níveis e que as verbas públicas sejam destinadas somente para as escolas públicas
5 - Combater todas as formas de mercantilização da educação e a introdução de critérios produtivistas no trabalho dos profissionais de educação e na avaliação das instituições e dos estudantes
6 - Exigir controle social sobre a educação privada, como concessão do poder público. É função do Estado regulamentar e fiscalizar seu funcionamento , observando a garantia de carreira digna aos seus trabalhadores e a autonomia didático-científica diante de suas mantenedoras
7 - Articular a luta em prol da qualidade da educação com a defesa da garantia pelo Estado das condições de trabalho dos profissionais da educação, incluindo a valorização salarial e a autonomia didático-científica
8 - Exigir que a gestão democrática das instituições e sistemas educacionais seja realizada por meio de órgãos colegiados democráticos
9 - Defender a formação inicial e continuada, pública e gratuita, presencial e de qualidade de todos os trabalhadores em educação, em todos os níveis e modalidades educacionais
10 - Ampliar o debate com os movimentos sociais e populares e entidades acadêmicas com o objetivo de reconstruir o Fórum Nacional em Defesa da Escola Pública e fortalecer a luta pela elaboração coletiva e democrática do Plano Nacional de Educação: proposta da sociedade brasileira.
Fonte: Sindicato Estadual dos Profissionais de Educação do RJ
21/02/2011
13º Congresso: ata de delegados e normas (SEPE)
á estão à disposição as atas para a eleição de delegados e as normas do 13º Congresso. O prazo para a eleição de delegados, por exemplo, começa hoje e vai até 19 de maio. Abaixo, os links para os textos:
Fonte: http://www.seperj.org.br/ver_noticia.php?cod_noticia=1707
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20/02/2011
A UNIDADE CLASSISTA E O XXX CONGRESSO DO ANDES-SN
Diante de um quadro político que apresenta sinais que apontam, simultaneamente, para o possível aprofundamento da aplicação de políticas neoliberais no Brasil, reveladas, entre outras manifestações, no anúncio de cortes no orçamento e de congelamento de realização de concursos – afetando diretamente as universidades federais –, e, simultaneamente, para a retomada da mobilização e da luta dos trabalhadores, em diversas áreas, entendemos que é necessária uma reflexão sobre nossa entidade que permita a correção de rumos e o seu fortalecimento.
O Andes-SN exerceu e ainda exerce uma importância fundamental na construção do sindicalismo combativo de nosso país. Desde o enfrentamento contra a ditadura militar que culmina nas primeiras greves de 1980 e 1981 bem como na incansável luta pela construção da universidade pública, gratuita, democrática, laica e socialmente referenciada, como foi formulado no Caderno 2 do Andes-SN, a entidade tem se caracterizado como vanguarda na luta pelas liberdades democráticas e pela construção de uma Universidade de cunho popular.
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Nos embates mais recentes, o Andes-SN tem tido posturas corretas, de maneira geral, quanto ao enfrentamento de ações do governo Lula, como o Reuni, que amplia o acesso à universidade sem, no entanto, garantir as condições para sua manutenção; o Prouni, que transfere recursos públicos para as universidades privadas ao invés de assegurar o financiamento necessário para as universidades públicas; nas denúncias contra as ditas “fundações de apoio”, verdadeiras caixas secretas dentro das universidades públicas e que recentemente foram desnudadas com acusações de enriquecimento ilícito envolvendo entes privados e dirigentes de universidades que se nutriam de recursos públicos. Também no terreno da luta sindical mais específica, o Andes SN vem demonstrando uma aproximação maior com o professorado, como no caso da recém divulgada nova proposta de Carreira, que contém, além de uma estrutura muito bem construída, propostas concretas que reúnem as condições de se transformarem em referências de mobilização e luta de toda a categoria.
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No entanto, entendemos que alguns aspectos devem ser problematizados nesta trajetória que inclusive culminam com a crise que o Andes-SN está vivendo atualmente. Desde o seu nascimento as direções que se sucedem, sob a justificativa de defender a liberdade de organização sindical, insistiram na tese do “pluralismo sindical” em contraposição à “unicidade sindical”. A unicidade sindical é uma questão de princípio para um movimento sindical que se queira transformador da realidade e representativo dos trabalhadores. A pluralidade sindical é um desserviço à luta dos trabalhadores e o exemplo é a situação criada com o surgimento da entidade pelega denominada “Proifes”.
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Todos sabemos que a grande arma do trabalhador é a sua unidade, e como grande parte dos integrantes do anterior e do atual governo são ex-dirigentes de sindicatos de trabalhadores (estando muitos destes hoje a serviço do capital), sabem muito bem como enfraquecer uma categoria: ferindo sua unidade de ação. Desta forma, o governo Lula, juntamente com seu braço sindical, a CUT, estimulou o nascimento do Proifes, com o único intuito de enfraquecer o movimento docente representado pelo Andes-SN.
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Com a certeza de que a divisão do movimento docente seria benéfica ao governo federal, o Proifes, em nome de nossa categoria, negocia, faz acordos e, desta maneira, confunde e contribui para a desmobilização do movimento docente, sendo participante de várias reuniões em que o Andes-SN sequer foi convidado. Um exemplo dessas negociações sem o apoio da categoria pôde ser observado em 2008 com o “Termo de acordo” assinado com o governo federal (que se transformou na Medida Provisória 431/08) e que não contou com o apoio do Andes-SN e nem da maioria das assembléias gerais realizadas em todo o país.
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Apesar do surgimento do Proifes, a partir de brechas e ações junto ao Ministério do Trabalho que levaram o Andes-SN a dificuldades financeiras, justamente no momento em que mais precisava dinamizar a luta dos docentes, em junho de 2009, o registro do Andes-SN foi restabelecido pelo MTE, mas uma nova luta começa com a tentativa de rejeitar o pedido de registro sindical do Proifes. Esta “entidade” defende que as próprias seções sindicais escolham a qual sindicato querem ficar filiadas. Isso demonstra, na prática, a ação nociva do pluralismo sindical, já que divide a categoria e enfraquece o movimento.
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O debate sobre a unicidade e pluralismo sindical deve ser enfrentado com seriedade junto a nossa categoria, já que a prática tem demonstrado os efeitos deletérios que, tanto o pluralismo, como a falta de debate sobre o tema, tem gerado.
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Além disso, percebemos que a questão da filiação à Conlutas no 26° Congresso, em Campina Grande, mostrou-se precipitada e que hoje nos têm colocado numa posição de isolamento. Se a desfiliação da CUT foi uma medida acertada, devido àquela central sindical não mais representar os interesses da classe trabalhadora, de maneira geral, e dos funcionários públicos, de forma particular, por ter se transformado em um órgão de conciliação de classes e em uma correia de transmissão das políticas neoliberais do governo Lula, a filiação à então recém criada Conlutas em 2007 foi uma medida que se mostrou açodada e não representativa da unidade da classe.
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Na verdade, o quadro político e sindical brasileiro naquele momento ainda estava em um processo de grandes mudanças com repercussão de novas tendências no movimento sindical, a exemplo do surgimento da Intersindical. Por outro lado, a imediata filiação à Conlutas, sem a antecedência de um amplo e constante debate, sobre o papel e o caráter da Conlutas, que ainda estava no seu nascimento, demonstra uma tendência ao aprofundamento da estreiteza política que funcionou como um mecanismo de aparelhamento do movimento.
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Nos opomos à concepção de organização proposta pela Conlutas por entendermos que necessitamos de uma verdadeira central sindical que expresse a intervenção dos trabalhadores enquanto classe, em que a centralidade da luta se manifeste na contradição capital-trabalho. É fundamental que todas as demais manifestações de movimentos organizados, seja anti-racismo, gênero, diversidade sexual, estudantil, devam ser interpretados do ponto de vista de classe, pois, sem essa compreensão, se tornam movimentos de busca por melhores condições de participação na dinâmica do sistema capitalista.
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Entendemos que, no atual estágio de conformação das políticas que possam alicerçar a base social do Andes-SN, o debate e o aprofundamento sobre o papel das universidades estaduais têm que ser mais efetivo dentro do nosso sindicato. As universidades estaduais têm sido um estuário para aplicação de políticas neoliberais e dos moldes propostos pelo Banco Mundial e organismos nacionais e internacionais que visam ao desmonte de um projeto de universidade popular. O mesmo se pode dizer quanto ao caso das universidades particulares, que em grande medida submetem os professores à condição de trabalhadores precarizados e superexplorados e sempre colocados à mercê das leis do mercado.
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Assim, entendemos que este Congresso do Andes-SN deve ser aberto à discussão dos mais variados temas, mesmo alguns que nos últimos anos têm sido preteridos sob a justificativa de ser matéria vencida e que tem feito com que medidas estreitas fossem adotadas levando ao isolamento da entidade. Desta forma, estaremos certos de buscar superar nossos erros e construir a Universidade pela qual lutamos: uma Universidade como instrumento de transformação da realidade social, uma Universidade popular que contribua efetivamente para o acesso de todos à ciência e à formação superior.
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Entendemos que o Andes-SN deve participar também das lutas gerais da sociedade, a exemplo da campanha do Petróleo – Petrobrás 100% estatal –, na defesa do Aqüífero Guarani, na solidariedade internacional, bem como na defesa da manutenção e expansão dos direitos conquistados pela classe trabalhadora. É necessário mais do que nunca a unidade dos trabalhadores para vencer os desafios que virão a partir do governo Dilma, já que a crise econômica tende a se alastrar e a receita do capital para minimizar os efeitos da crise é jogar a conta para os trabalhadores através do aumento do desemprego, da diminuição dos salários, da piora das condições de trabalho e por parte dos governos, mesmo dos países centrais, através do corte dos gastos públicos e da reforma da previdência social.
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A Universidade brasileira é um projeto em disputa e, mesmo entendendo que a Universidade que queremos é um projeto da sociedade socialista, compreendemos que mediações devem ser feitas na luta cotidiana de nossa categoria. Cabe a nós discuti-la e construí-la em fóruns como esse e na sociedade como um todo.
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Uberlândia (MG), 17 de fevereiro de 2011
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