09/04/2013
07/04/2013
Professor II: oferta de 160 vagas e prazo só até dia 15
Estão abertas, até as 23h59 do próximo dia 15, as inscrições do concurso para professor II da Secretaria de Educação do Rio de Janeiro (SME-Rio). São oferecidas inicialmente 160 vagas, com remuneração inicial de R$3.197,72, sendo R$2.698,01 de salário-base, R$121 de auxílio-transporte, R$114,71 de bônus-cultura e R$264 de benefício-alimentação (R$12 para 22 dias de trabalho). As oportunidades são para as 2ª, 3ª, 4ª, 5ª, 6ª, 7ª, 8ª e 11ª CREs. A carga de trabalho é de 40 horas semanais.
Para concorrer é necessário ter curso normal superior, com habilitação em docência nos anos iniciais do ensino fundamental; ou licenciatura plena em Pedagogia com habilitação em docência nos anos iniciais do ensino fundamental; ou licenciatura plena, com habilitação específica em curso superior de graduação correspondente a licenciatura plena e habilitação em docência nos anos iniciais do ensino fundamental.
Para concorrer é necessário ter curso normal superior, com habilitação em docência nos anos iniciais do ensino fundamental; ou licenciatura plena em Pedagogia com habilitação em docência nos anos iniciais do ensino fundamental; ou licenciatura plena, com habilitação específica em curso superior de graduação correspondente a licenciatura plena e habilitação em docência nos anos iniciais do ensino fundamental.
As inscrições serão aceitas no site da Prefeitura do Rio de Janeiro. Após o cadastramento, o candidato deverá imprimir o documento de arrecadação de receitas municipais (Darm), para pagar a taxa de R$60 até as 16h do dia 16 de abril, em um dos bancos conveniados.
Termina nesta quinta-feira, 4, o prazo para pedido de isenção da taxa de inscrição. A solicitação é feita no site da prefeitura, mas é preciso comparecer a um dos postos, portando a documentação especificada no item 2.2 do capítulo VI do edital.
Há reserva de 20% das vagas para negros e índios, conforme a lei de cotas, sendo considerados como tais os candidatos que assim se declararem no momento da inscrição. Para concorrer será necessário ainda ter a ficha limpa. Há oportunidades para portadores de deficiência. O prazo de validade do concurso é de dois anos, prorrogável por igual período, e a contratação ocorrerá pelo regime estatutário (garantia de estabilidade).
As datas das provas ainda não foram definidas. Os candidatos serão avaliados por meio de provas objetiva e discursiva, de caráter eliminatório e classificatório. A segunda etapa será a análise de títulos, apenas classificatória. A última fase do concurso será o curso de formação básica, de caráter eliminatório e constituído por aulas teóricas, atividade prática docente e de prova prática de aula.
Serviço
Solicitação de Isenção: VIII Região Administrativa Rua Desembargador Isidro, 41, Tijuca (Praça Saens Peña) – RJ ou Sede da 8ª Coordenadoria Regional de Educação – CRE - Rua Biarritz, 31 – Bangu/RJ
Área de apoio: 300 vagas em breve. 2º grau
Deverá ser votado ainda este mês o projeto de lei que cria 8 mil vagas de agente de apoio à educação na Secretaria Municipal de Educação do Rio de Janeiro (SME-Rio). Sendo aprovado, a Secretaria Municipal de Educação do Rio de Janeiro (SME-Rio) vai iniciar os preparativos de um concurso para preencher, inicicalmente, 300 vagas.
“Espero ainda no primeiro semestre começar a preparar o edital. A nossa ideia é convocar inicialmente para 300 vagas, e depois ir chamando mais aprovados durante o ano”, disse a secretária municipal de Educação, Claudia Costin, em recente entrevista à FOLHA DIRIGIDA.
A carreira, com exigência de nível médio completo, terá salário inicial de R$917,68, além de benefícios, para carga de trabalho de 40 horas semanais. Uma das principais funções do agente de apoio à educação será trabalhar com crianças com deficiência, um papel que atualmente é feito por estagiários.
Para aqueles que querem iniciar a preparação para o concurso, mas não sabem quais conteúdos estudar, já que esta será a primeira seleção para cargo, a secretária municipal de Educação orienta os futuros candidatos a tomarem como base o programa da última seleção para agente de apoio, realizada em 2010. Na ocasião, foram cobradas as disciplinas de Português, Matemática e Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).
“Evidentemente, por ser um cargo de apoio, ele tem algumas semelhanças com o concurso feito para agente educador. Ou seja, o candidato tem de saber sobre educação, sobre seu campo de atuação. É uma carreira parecida com a de agente educador, assim como o programa”.
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Fonte: Folha Dirigida.
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06/04/2013
Dois em cada 10 professores da educação básica não têm curso superior
Dados do Censo da Educação Básica 2012 mostram que, apesar de formação ter melhorado no País, há docentes sem diploma de graduação em todas as etapas escolares
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De cada 10 professores que dão aulas na educação básica brasileira, dois trabalham sem diploma de ensino superior. O índice de docentes não graduados é maior nas turmas da educação infantil, mas há professores trabalhando sem formação adequada inclusive no ensino médio.
Os números do Censo Escolar 2012 mostram que 22% dos 2.101.408 professores brasileiros – 459 mil – não chegaram à universidade. Desse total, 8.339 terminaram apenas o ensino fundamental, 115.456 concluíram o ensino médio regular e 335.418, o magistério. Entre os 1,6 milhão diplomados, 223.777 não cursaram licenciatura, modalidade que prepara professores.
É na educação infantil que trabalha grande parte dos professores sem formação superior. Dos 443,4 mil professores dessa etapa, 36,4% não se graduaram. De acordo com a Lei de Diretrizes e Bases da Educação, é permitido que um professor que concluiu apenas o magistério lecione nessa fase, mas 10% dos docentes sequer têm essa formação mínima.
Nos anos finais do ensino fundamental e no ensino médio, fases em que todos os professores, por lei, deveriam ter cursado licenciatura para dar aulas, o cenário se repete. Do 6º ao 9º ano do fundamental, 22% dos 801 mil educadores não têm formação adequada (não cursaram faculdade ou licenciatura). No ensino médio, 18% dos 497 mil docentes estão nessa situação.
Para a ex-secretária de Educação Básica do Ministério da Educação e diretora da Fundação SM, Pilar Lacerda, todos os professores deveriam ser formados no ensino superior. “A profissão docente é muito complexa e requer formação específica e séria. A qualidade da educação está intimamente ligada à qualidade do profissional da educação. Aquela visão de que basta boa vontade e gostar de crianças está ultrapassada”, afirma.
A formação dos professores brasileiros, de modo geral, melhora a cada ano. Em 2011, o número de educadores sem curso superior (530.029) representava um quarto do total. Apesar disso, as diferenças regionais ainda persistem. Grande parte dos docentes com formação precária atua no Nordeste. Quase metade dos educadores com apenas o diploma de ensino médio regular – 50 mil dos 115 mil do País – leciona nas salas de aula nordestinas.
A Bahia é um dos Estados com mais problemas de formação dos docentes. Dos 157 mil professores, 1.150 têm apenas o ensino fundamental (13,8% de todos que estão nessa condição); 19 mil cursaram apenas o ensino médio regular e 50,8 mil não passaram do curso normal (magistério). Apenas a metade cursou uma faculdade.
Problemas na carreira
Sem incentivos para atrair os melhores estudantes para a carreira, especialistas acreditam que será difícil superar os problemas de formação dos professores, que não se esgota apenas com o estímulo à graduação. Na opinião de Daniel Cara, coordenador da Campanha Nacional pelo Direito à Educação, há problemas estruturais de formação dos alunos que só são solucionados dentro dos cursos de graduação.
“O aluno que não teve uma formação básica adequada não vai conseguir ser um bom professor. E, na média, infelizmente, são os alunos que tiveram mais dificuldades que acabam na profissão. A tendência do Brasil sempre é boa, mas temos um problema de ritmo dessa evolução na qualidade de ensino”, pondera. Segundo ele, a aprovação do Plano Nacional da Educação é importante para garantir recursos que acelerem a formação dos professores.
Pilar defende melhores salários e uma perspectiva mais atraente de carreira para mudar o cenário da educação. “A profissão não pode ser escolhida enquanto o jovem não acha coisa melhor”, comenta. Cara acredita que os cursos presenciais têm de expandir de forma mais direcionada, especialmente nas regiões em que eles são escassos.
Maioria feminina
Os dados do Censo Escolar mostram também que 1,6 milhão do total de professores do País é mulher. A região Nordeste é a que, proporcionalmente, possui mais educadores homens na educação básica. Dos 613 mil professores da região, 20% são homens. Metade dos docentes tem entre 25 e 40 anos de idade.
Dos 2 milhões de docentes da educação básica, 443 mil dão aulas na educação infantil; 1,4 milhão no ensino fundamental, 497 mil no ensino médio e 253 mil na educação de jovens e adultos.
Fonte: IG Educação
Os números do Censo Escolar 2012 mostram que 22% dos 2.101.408 professores brasileiros – 459 mil – não chegaram à universidade. Desse total, 8.339 terminaram apenas o ensino fundamental, 115.456 concluíram o ensino médio regular e 335.418, o magistério. Entre os 1,6 milhão diplomados, 223.777 não cursaram licenciatura, modalidade que prepara professores.
É na educação infantil que trabalha grande parte dos professores sem formação superior. Dos 443,4 mil professores dessa etapa, 36,4% não se graduaram. De acordo com a Lei de Diretrizes e Bases da Educação, é permitido que um professor que concluiu apenas o magistério lecione nessa fase, mas 10% dos docentes sequer têm essa formação mínima.
Nos anos finais do ensino fundamental e no ensino médio, fases em que todos os professores, por lei, deveriam ter cursado licenciatura para dar aulas, o cenário se repete. Do 6º ao 9º ano do fundamental, 22% dos 801 mil educadores não têm formação adequada (não cursaram faculdade ou licenciatura). No ensino médio, 18% dos 497 mil docentes estão nessa situação.
Para a ex-secretária de Educação Básica do Ministério da Educação e diretora da Fundação SM, Pilar Lacerda, todos os professores deveriam ser formados no ensino superior. “A profissão docente é muito complexa e requer formação específica e séria. A qualidade da educação está intimamente ligada à qualidade do profissional da educação. Aquela visão de que basta boa vontade e gostar de crianças está ultrapassada”, afirma.
A formação dos professores brasileiros, de modo geral, melhora a cada ano. Em 2011, o número de educadores sem curso superior (530.029) representava um quarto do total. Apesar disso, as diferenças regionais ainda persistem. Grande parte dos docentes com formação precária atua no Nordeste. Quase metade dos educadores com apenas o diploma de ensino médio regular – 50 mil dos 115 mil do País – leciona nas salas de aula nordestinas.
A Bahia é um dos Estados com mais problemas de formação dos docentes. Dos 157 mil professores, 1.150 têm apenas o ensino fundamental (13,8% de todos que estão nessa condição); 19 mil cursaram apenas o ensino médio regular e 50,8 mil não passaram do curso normal (magistério). Apenas a metade cursou uma faculdade.
Problemas na carreira
Sem incentivos para atrair os melhores estudantes para a carreira, especialistas acreditam que será difícil superar os problemas de formação dos professores, que não se esgota apenas com o estímulo à graduação. Na opinião de Daniel Cara, coordenador da Campanha Nacional pelo Direito à Educação, há problemas estruturais de formação dos alunos que só são solucionados dentro dos cursos de graduação.
“O aluno que não teve uma formação básica adequada não vai conseguir ser um bom professor. E, na média, infelizmente, são os alunos que tiveram mais dificuldades que acabam na profissão. A tendência do Brasil sempre é boa, mas temos um problema de ritmo dessa evolução na qualidade de ensino”, pondera. Segundo ele, a aprovação do Plano Nacional da Educação é importante para garantir recursos que acelerem a formação dos professores.
Pilar defende melhores salários e uma perspectiva mais atraente de carreira para mudar o cenário da educação. “A profissão não pode ser escolhida enquanto o jovem não acha coisa melhor”, comenta. Cara acredita que os cursos presenciais têm de expandir de forma mais direcionada, especialmente nas regiões em que eles são escassos.
Maioria feminina
Os dados do Censo Escolar mostram também que 1,6 milhão do total de professores do País é mulher. A região Nordeste é a que, proporcionalmente, possui mais educadores homens na educação básica. Dos 613 mil professores da região, 20% são homens. Metade dos docentes tem entre 25 e 40 anos de idade.
Dos 2 milhões de docentes da educação básica, 443 mil dão aulas na educação infantil; 1,4 milhão no ensino fundamental, 497 mil no ensino médio e 253 mil na educação de jovens e adultos.
Fonte: IG Educação
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Violência, a marca do poder masculino
Outras Palavras - [Henrique Carneiro] Vasta sequência de dados revela: desde pré-história, domínio machista está associado à especialização cultural dos homens no exercício da força bruta.
A masculinidade, como todas as identidades, é social e historicamente construída em cada sociedade. Em quase todas, entretanto, há uma especialização masculina na violência.
Partilhamos de uma herança ocidental que traz nos étimos da própria língua os traços arcaicos, mas presentes, de formas de pensamento de longa duração. O radical latino que identifica o masculino, vir, é o mesmo que formará a palavra virtude, definindo a própria noção de virtude como algo masculino e, portanto, guerreiro. A violência viril é um emblema da masculinidade que nasce com as primeiras civilizações e permanece como essência do próprio conceito de civilização, uma civitas apenas de homens, mesmo quando concebida na forma republicana ilustrada moderna[1], onde mesmo o direito de voto feminino foi mais que tardio.
Tal situação nem sempre ocorreu. Mesmo que a ideia de um matriarcado historicamente anterior ao advento das civilizações patriarcais não seja algo demonstrável de forma generalizada, inúmeros autores admitem que “os namoros, dos quais dizem que Zeus teria cultivado com Metis, Themis, Eurinome, Demeter, Leto, Hera, Semele, Alkmena, etc., não são apenas expressões de antigas relações sexuais patriarcais, mas também ressonância de uma vitória de grande amplitude, que, no espaço do Mediterrâneo, tribos patriarcais haviam conquistado sobre tribos organizadas por matriarcado”[2]. A literatura antropológica também é rica de relatos de sociedades indígenas mais igualitárias e com papéis sexuais de gênero muito diversificados[3].
Apesar de referências antigas às deusas mães e a existência de descendências predominantemente matrilineares em certas culturas, o domínio patriarcal sobre a narrativa da história foi universal, atingindo até a pré-história.
O debate arqueológico também foi um campo no qual se construiu uma visão idealizada da supremacia masculina a partir da força física e da prática da caça da megafauna, praticada por homens, quando outros estudos vêm apontando, pelo contrário, o papel central da mulher e da sociabilidade feminina ligada ao parto assistido e à presença crescente do hormônio oxitocina, e à ideia da cooperatividade como padrão cultural bem sucedido na história da humanidade[4]. A “revolução criativa” de cerca de 40 mil anos atrás foi o resultado de uma sociotropia baseada no interacionismo cooperativo que levou aos utensílios complexos, à imagística e à arquitetura e não uma suposta “corrida armamentista do Paleolítico superior” de machos caçadores.
Foi o guerreiro masculino, entretanto, que despontou como o grande agente da história das civilizações. Briseida, como cativa de guerra de Aquiles, no relato da Ilíada, de Homero, é um exemplo prototípico do papel de prendas sexuais, de botim humano, que as mulheres foram submetidas ao longo de boa parte da história da humanidade[5]. Uma formulação explícita dessa ideia se encontra em Adolf Hitler, que escreveu em Mein Kampf que “as mulheres (…) assim também as massas gostam mais dos que mandam do que dos que pedem”.
Essa condição de uma atribuição guerreira ao homem e de pilhagem para a predação sexual à mulher acompanhou as sociedades humanas das primeiras civilizações ao século XX. Na segunda guerra mundial, a violência sexual contra mulheres alcançou dimensões quase sistemáticas, especialmente na vingança contra a população alemã desencadeada pelos exércitos vitoriosos, especialmente o soviético no front oriental[6]. No final do século XX, o uso do estupro como arma de guerra continuou a ocorrer em massa, da ex-Iugoslávia ao Congo.
Os homens são responsáveis, mesmo em “tempos de paz”, por 90% de todos os assassinatos cometidos na atualidade no mundo e por praticamente 100% dos estupros. Isso não deve, entretanto, nos levar a aceitar a tese do senso-comum de que o homem é naturalmente (“biologicamente”) mais propenso à violência do que a mulher. No artigo “Why Are Men So Violent?”[7], por exemplo, Jesse J. Prinz argumenta contra os que vêm determinações biológicas na maior propensão masculina à violência refutando a tese do “macho guerreiro” por natureza. As formações sociais surgidas após o Neolítico tenderam a reforçar o poder patriarcal e as condições históricas das representações da masculinidade como violência reforçaram as formas materiais da desigualdade no trabalho, na reprodução e na família.
A menor incidência feminina nos crimes violentos não impediu que muitas mulheres também cometessem assassinatos, mas no panorama europeu do final do século XIX, poucas eram as condenadas por esses crimes, especialmente se fossem mulheres de classes sociais mais abastadas. A tendência dos tribunais naquela época, sobretudo na França, sempre foi de absolvição dos crimes passionais femininos, sob o argumento da maior fragilidade emocional e mental feminina e sua maior suscetibilidade aos rompantes de passionalidade.
Os homens tinham o direito público à expressão da violência, não só como soldados nas guerras, mas por meio da ritualização masculina da ofensa à honra e sua reparação por meio do desafio ao duelo. Às mulheres, vetado seu espaço no teatro masculino da violência “honrada” em conflitos bélicos ou em duelos pessoais, restava um uso de violência por meios espetaculares emblemáticos, como os ataques com ácido sulfúrico, conhecido como vitríolo, que fez da mulher “vitriólica” uma expressão particular de uma violência vista como especificamente feminina: a da “criminosa passional”. Com a emoção excessiva, a mulher era vista sempre como uma histérica em potencial, e na visão médica oficial, a “superficialidade, infantilismo, imprevisibilidade e sugestionabilidade” eram as características femininas[8]. Isso, que também era chamado de “caráter mercurial”, opunha-se ao ideal de masculinidade do absoluto “sangue frio” diante do risco, da dor e da morte. Nesse aspecto, o duelo foi um emblema dessa identidade masculina e proibido às mulheres. Ao resenhar três livros sobre o assunto em “The Duel in the History of Masculinity” W. Scott Haine resume o enfoque historiográfico europeu sobre o tema[9].
A noção de “código de honra” com origem medieval evoluiu na época moderna para contemplar a burguesia em um novo padrão de conduta e num novo ideal de masculinidade que buscava disciplinar três atividades correlatas ligadas à agressividade e à competitividade que definiam o modelo de comportamento ético masculino: a guerra, o duelo e o esporte.
O código de honra masculino que regeu os duelos era um código costumeiro que subsistiu mesmo diante da proibição formal dos duelos, feita na França por Richelieu, assim como em outros países nos quais o estado moderno absolutista buscou um monopólio da violência.
Com a publicação de um novo código dos duelos na França em 1836 pelo conde de Chatauvillard, o Essai sur le duel, estabeleceu-se a primazia do duelo por esgrima até o “primeiro sangue”, o que fazia ser mínimo o número de mortes. Na Inglaterra, após 1850 também declinou a moda dos duelos. Mas na França ela se manteve numa média de 200 por ano subindo quando havia crises políticas como o caso Dreyfus. Na Alemanha, um padrão mais aristocrático militar prevaleceu fazendo da pistola a arma por excelência dos duelos, o que causava falecimentos em ao menos um quinto deles. Havia menos duelos na Alemanha, mas com resultados muito mais mortíferos. Até mesmo uma figura como o líder socialista F. Lassalle envolveu-se em um duelo, morrendo por isso em 1864. Embora formalmente proibido, até mesmo o chanceler Bismarck desafiou em 1865 o político e cientista Virchow a um duelo que não se realizou.
Na Itália moderna e contemporânea os duelos teriam perdurado mais tempo do que em qualquer outro país europeu e o próprio Mussolini teria participado ao menos de cinco quando jovem[10]. O modelo de identidade hipermasculina da Itália teria, dessa forma, muito a ver com a exaltação da violência agonística ritualizada.
No Brasil, o duelo sempre foi proibido, mas mesmo assim realizado. Como escreve J. R. M. Remedi, “em razão da proibição vigente desde os tempos coloniais das práticas de duelos, era considerado um crime lesa-majestade, ou seja, contra a honra do próprio imperador”, mas, “apesar de proibido pela lei brasileira, os duelos eram mais frequentes que imaginamos e, raramente, produziam condenações maiores aos praticantes”[11]. O caso mais célebre talvez seja o que envolveu o general Bento Gonçalves que, em 1844, considerando-se insultado desafiou seu camarada de armas, o coronel Onofre Pires, ambos líderes da revolução Farroupilha, e este último, ferido, acabou morrendo após alguns dias.
Esse duelo é emblemático, pois ambos os contendores eram primos-irmãos e amigos e camaradas de armas havia trinta anos. Bento, general dos Farrapos, começou a ser questionado pela facção liderada por David Canabarro, à qual se passou Onofre Pires. Após intrigas e acusações, Bento escreve uma carta pedindo confirmação das acusações e Onofre escreve outra confirmando, o que leva Bento a desafiá-lo ao duelo de espadas. Na manhã de 27 de fevereiro de 1844, vão a cavalo para um local onde lutam e, mesmo sendo mais jovem que Bento em 11 anos e de imensa estatura, Onofre é ferido no antebraço direito. O duelo acaba, o próprio Bento o socorre, mas a ferida gangrena e ele morre em poucos dias. Esse duelo, que foi tema de vasta literatura[12] e é encenado até hoje em comemorações de tradições gaúchas, sintetiza a tragédia da violência por honra que irrompe entre homens que se amavam como irmãos, mas chegam a se ferir de morte duelando.
A honra era ferida por palavras proferidas em público sem que tivesse havido posteriores desculpas também públicas, o que trazia ao ofendido, caso não buscasse uma reparação, a pior das vergonhas. A ofensa podia ser também a uma mulher, por palavras ou atos, o que levaria imediatamente aos seus parentes diretos a necessidade de restaurá-la por meio do sangue. Nesse caso, a escolha das armas cabia ao ofendido, sendo tradicional também no Brasil a opção entre a espada e a pistola. No caso gaúcho, especialmente na cultura da fronteira, uma modalidade de duelo comum era com o uso de facas.
Da mesma forma que no código francês de 1836, também no Brasil eram “frequentes os relatos dos duelos cavalheirescos em que os tiros são disparados para o alto, sem intenção de ferir o oponente. Tal situação se dava devido ao entendimento de que bastava entre homens de honra colocar-se de peito aberto frente a uma pistola para provar a sua coragem e resolução. Assim como muitos duelos acabavam nos primeiros ferimentos que vertessem sangue, quase sempre com a enunciação da conhecida sentença: um gota de sangue de um homem honrado é suficiente para retirar as nódoas da ofensa”.[13]
O estado mental da violência é assemelhado às vezes ao da fúria e, na busca dessa condição, os homens usaram, muitas vezes em condições de monopólio de gênero, drogas psicoativas capazes de alterar a consciência e aumentar a predisposição para a violência. A mais comum dessas drogas sempre foi o álcool, proibido ou censurado para as mulheres em muitas sociedades.
No livro Selvagens bebedeiras, João Azevedo Fernandes mostra como o uso das bebidas alcoólicas para fins de agonismo masculino, ou seja, de disputa e combate, foi uma característica marcante das sociedades ameríndias, servindo para a construção do “ethos guerreiro”.
Esse beber viril continuou a existir na cultura masculina dos bares, em que a quantidade de bebida ingerida equivalia à suposta masculinidade que se buscava demonstrar. Como escreve Jack London, em suas Memórias alcoólicas, “quando moço, graças à taverna escapei às limitações da influência feminina e me lancei no vasto e livre mundo dos homens” (p.14).
No Brasil, a cultura da aguardente foi fundamental para o desempenho da mão de obra escrava, especialmente no âmbito da mineração. Mais tarde, a vida urbana nacional também conheceu um uso de bebidas que eram servidas em estabelecimentos específicos, de frequência majoritariamente masculina.
O beber como “macho” toma também uma forma de duelo, em que se disputa a capacidade de ingerir maiores quantidades em menor tempo. O ambiente do bar se constitui como o espaço de socialização prioritário do trabalhador masculino, em contraposição ao ambiente doméstico governado pelos princípios femininos da vida familiar.
Em contraposição a essa vida pública masculina nos espaços da alcoolização, emergiu desde o século XIX um discurso médico, de matriz eugenista, que condenava as bebidas alcoólicas sob o argumento de que elas comprometem a masculinidade tanto organicamente, por provocarem impotência, atrofia dos testículos e até mesmo a morte, como do ponto de vista moral, por afastarem os homens da família e do trabalho[14].
O declínio da prática dos duelos no mundo ocidental foi acompanhado da institucionalização cada vez maior dos esportes como arena das disputas masculinas, onde a própria esgrima e as artes marciais em geral assumiram cada vez mais a condição de uma prática esportiva do que de uma luta. Por essa razão, a participação feminina nos esportes foi muito limitada até o final do século XX. Mesmo em maratonas, mulheres não eram admitidas até os anos de 1970. A elevação do duelo esportivo à condição emblemática da disputa viril ritualizada com violência atenuada pode se verificar numa pesquisa da ocorrência da palavra “duelo” num programa de busca na Internet, em que praticamente todas as menções vão tratar de esportes.
O exercício da violência como prerrogativa masculina extravasou a esfera direta do conflito militar para investir toda a representação da masculinidade com os seus atributos: códigos de honra como “códigos de cavalheiros” na ritualização da agressividade e no seu direcionamento a formas atenuadas de disputa, tanto no âmbito dos esportes, como nos duelos e nas práticas de ingestão alcoólicas, todas codificadas como exercícios de masculinidade. A virilidade assim se constitui como um conjunto de hábitos e símbolos, como vícios da violência codificada e protocolada em que o lutar, o jogar, o beber, o brigar são socialmente moldados como representações do duelo, de forma a inscrever a diferença dos sexos num teatro social em que o protagonismo da violência literal e simbólica é estabelecida como a virtude por excelência dos homens, mesmo que estes cenários venham sendo, nas últimas décadas, alterados pela emergência dos movimentos feministas e de igualdade de direitos que conquistaram para as mulheres espaços crescentes na vida pública, nos esportes, no consumo alcoólico e mesmo nas atividades militares.
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Henrique Carneiro é historiador, bacharel, mestre e doutor em História Social pela USP. Professor na cadeira de História Moderna no Departamento de História da USP (Universidade de São Paulo), é também pesquisador do Núcleo de Estudos Interdisciplinares sobre Psicoativos (NEIP). Publicou seis livros e diversos artigos para jornais e revistas acadêmicas (ver aqui). Sua linha de pesquisa atual aborda a história da alimentação, das drogas e das bebidas alcoólicas. Seus textos publicados em Outras Palavras estão publicados aqui
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Referências bibliográficas:
BESSEL, Richard, Alemanha, 1945, São Paulo, Companhia das Letras, 2010.
FERNANDES, João Azevedo, Selvagens bebedeiras. Álcool, embriaguez e contatos culturais no Brasil colonial (séculos XVI-XVII), São Paulo, Alameda, 2011.
HARRIS, Ruth, Assassinato e loucura. Medicina, leis e sociedade no fin de siècle, Rocco, Rio de Janeiro, 1993.
LONDON, Jack, Memórias alcoólicas, São Paulo, Editora Paulicéia, 1993.
MATOS, Maria Izilda Santos de, Meu lar é um botequim. Alcoolismo e masculinidade, São Paulo, CEN, 2000.
REMEDI, José Martinho Rodrigues, Palavras de Honra: um estudo acerca da honorabilidade na sociedade sul-rio-grandense no século XIX, a partir dos romances de Caldre e Fião, Tese de Doutorado em História apresentada ao Programa de Pós-Graduação em História, Área de Concentração: Estudos Históricos Latino-Americanos, da Universidade do Vale do Rio dos Sinos-UNISINOS, São Leopoldo- RS, 2011.
TÜCKER, Christoph, Filosofia do sonho, Ijuí, Editora Unijuí, 2010.
Notas:
[1] Para uma crítica feminista à história da dominação masculina no campo da teoria política do contrato, vide O Contrato sexual, de Carole Pateman (São Paulo, Paz e Terra, 1993)
[2] C. Tücker, Filosofia do sonho, Ijuí, Editora Unijuí, 2010, p.61.
[3] Eleanor B. Leacock, em Myths of Male Dominance. Collected Articles on Women Cross-Culturally (Monthly Review Press, 1982) traz uma ampla discussão sobre esta temática revendo as teses de Morgan, Bachofen, Engels, etc.
[4] Vide Sexo invisível. O verdadeiro papel da mulher na pré-história, J. M. Adovasio; Olga Soffer e Jake Page, Rio de Janeiro, Record, 2009.
[5] Sobre as relações entre as identidades masculinas e a prática da guerra e a história dos códigos cavalheirescos vide Robert A. Nye, Western Masculinities in War and Peace, The American Historical Review, vol. 112, nº 2, abril de 2007, inhttp://www.historycooperative.org/journals/ahr/112.2/nye.html
[6] Richard Bessel, em Alemanha, 1945 (p.151) escreve que “a necessidade de humilhar a outrora poderosa e agora impotente “raça dominante” era muito forte. Isso, e não apenas o desejo sexual desenfreado, é que parece ter estimulado a maior parte da violência sexual das tropas invasoras na Alemanha em 1945.”
[7] Jesse J. Prinz, in http://my.psychologytoday.com/print/86893
[8] Vide Ruth Harris, Assassinato e Loucura. Medicina, leis e sociedade no fin de siècle (Rio de Janeiro, Rocco, 1993), p.247.
[9] Comentando desde o livro de V. G. Kiernan, The Duel in European History: Honor and the Reign of Aristocracy (Oxford: Oxford University Press, 1986) até três livros mais recentes: Peter Gay, The Cultivation of Hatred. Vol. III, The Bourgeois Experience: Victoria to Freud (New York and London: W. W. Norton & Co., 1993); Kevin McAleer, Dueling: The Cult of Honor in fin-de-siècle Germany (Princeton: Princeton University Press, 1994) e Robert A. Nye, Masculinity and Male Codes of Honor in Modern France. Studies in the History of Sexuality (New York and Oxford: Oxford University Press, 1993).
[10] Steven Hughes, Politics of the sword. Dueling, Honor, and Masculinity in Modern Italy, Ohio State University press, 2007.
[11] Palavras de Honra: um estudo acerca da honorabilidade na sociedade sul-rio-grandense no século XIX, a partir dos romances de Caldre e Fião, de José Martinho Rodrigues Remedi, Tese de Doutorado em História apresentada ao Programa de Pós-Graduação em História, Área de Concentração: Estudos Históricos Latino-Americanos, da Universidade do Vale do Rio dos Sinos-UNISINOS, São Leopoldo- RS, 2011, pp.216 e 220.
[12] A tese de J. M. R. Remedi trata especialmente da obra literária de José Antonio do Vale Caldre e Fião, cujo livro O Corsário: romance rio-grandense (1979) trata do tema do duelo.
[13] Idem, p.218.
[14] MATOS, Maria Izilda Santos de, Meu lar é um botequim. Alcoolismo e masculinidade, São Paulo, CEN, 2000.
Diário Liberdade
A masculinidade, como todas as identidades, é social e historicamente construída em cada sociedade. Em quase todas, entretanto, há uma especialização masculina na violência.
Partilhamos de uma herança ocidental que traz nos étimos da própria língua os traços arcaicos, mas presentes, de formas de pensamento de longa duração. O radical latino que identifica o masculino, vir, é o mesmo que formará a palavra virtude, definindo a própria noção de virtude como algo masculino e, portanto, guerreiro. A violência viril é um emblema da masculinidade que nasce com as primeiras civilizações e permanece como essência do próprio conceito de civilização, uma civitas apenas de homens, mesmo quando concebida na forma republicana ilustrada moderna[1], onde mesmo o direito de voto feminino foi mais que tardio.
Tal situação nem sempre ocorreu. Mesmo que a ideia de um matriarcado historicamente anterior ao advento das civilizações patriarcais não seja algo demonstrável de forma generalizada, inúmeros autores admitem que “os namoros, dos quais dizem que Zeus teria cultivado com Metis, Themis, Eurinome, Demeter, Leto, Hera, Semele, Alkmena, etc., não são apenas expressões de antigas relações sexuais patriarcais, mas também ressonância de uma vitória de grande amplitude, que, no espaço do Mediterrâneo, tribos patriarcais haviam conquistado sobre tribos organizadas por matriarcado”[2]. A literatura antropológica também é rica de relatos de sociedades indígenas mais igualitárias e com papéis sexuais de gênero muito diversificados[3].
Apesar de referências antigas às deusas mães e a existência de descendências predominantemente matrilineares em certas culturas, o domínio patriarcal sobre a narrativa da história foi universal, atingindo até a pré-história.
O debate arqueológico também foi um campo no qual se construiu uma visão idealizada da supremacia masculina a partir da força física e da prática da caça da megafauna, praticada por homens, quando outros estudos vêm apontando, pelo contrário, o papel central da mulher e da sociabilidade feminina ligada ao parto assistido e à presença crescente do hormônio oxitocina, e à ideia da cooperatividade como padrão cultural bem sucedido na história da humanidade[4]. A “revolução criativa” de cerca de 40 mil anos atrás foi o resultado de uma sociotropia baseada no interacionismo cooperativo que levou aos utensílios complexos, à imagística e à arquitetura e não uma suposta “corrida armamentista do Paleolítico superior” de machos caçadores.
Foi o guerreiro masculino, entretanto, que despontou como o grande agente da história das civilizações. Briseida, como cativa de guerra de Aquiles, no relato da Ilíada, de Homero, é um exemplo prototípico do papel de prendas sexuais, de botim humano, que as mulheres foram submetidas ao longo de boa parte da história da humanidade[5]. Uma formulação explícita dessa ideia se encontra em Adolf Hitler, que escreveu em Mein Kampf que “as mulheres (…) assim também as massas gostam mais dos que mandam do que dos que pedem”.
Essa condição de uma atribuição guerreira ao homem e de pilhagem para a predação sexual à mulher acompanhou as sociedades humanas das primeiras civilizações ao século XX. Na segunda guerra mundial, a violência sexual contra mulheres alcançou dimensões quase sistemáticas, especialmente na vingança contra a população alemã desencadeada pelos exércitos vitoriosos, especialmente o soviético no front oriental[6]. No final do século XX, o uso do estupro como arma de guerra continuou a ocorrer em massa, da ex-Iugoslávia ao Congo.
Os homens são responsáveis, mesmo em “tempos de paz”, por 90% de todos os assassinatos cometidos na atualidade no mundo e por praticamente 100% dos estupros. Isso não deve, entretanto, nos levar a aceitar a tese do senso-comum de que o homem é naturalmente (“biologicamente”) mais propenso à violência do que a mulher. No artigo “Why Are Men So Violent?”[7], por exemplo, Jesse J. Prinz argumenta contra os que vêm determinações biológicas na maior propensão masculina à violência refutando a tese do “macho guerreiro” por natureza. As formações sociais surgidas após o Neolítico tenderam a reforçar o poder patriarcal e as condições históricas das representações da masculinidade como violência reforçaram as formas materiais da desigualdade no trabalho, na reprodução e na família.
A menor incidência feminina nos crimes violentos não impediu que muitas mulheres também cometessem assassinatos, mas no panorama europeu do final do século XIX, poucas eram as condenadas por esses crimes, especialmente se fossem mulheres de classes sociais mais abastadas. A tendência dos tribunais naquela época, sobretudo na França, sempre foi de absolvição dos crimes passionais femininos, sob o argumento da maior fragilidade emocional e mental feminina e sua maior suscetibilidade aos rompantes de passionalidade.
Os homens tinham o direito público à expressão da violência, não só como soldados nas guerras, mas por meio da ritualização masculina da ofensa à honra e sua reparação por meio do desafio ao duelo. Às mulheres, vetado seu espaço no teatro masculino da violência “honrada” em conflitos bélicos ou em duelos pessoais, restava um uso de violência por meios espetaculares emblemáticos, como os ataques com ácido sulfúrico, conhecido como vitríolo, que fez da mulher “vitriólica” uma expressão particular de uma violência vista como especificamente feminina: a da “criminosa passional”. Com a emoção excessiva, a mulher era vista sempre como uma histérica em potencial, e na visão médica oficial, a “superficialidade, infantilismo, imprevisibilidade e sugestionabilidade” eram as características femininas[8]. Isso, que também era chamado de “caráter mercurial”, opunha-se ao ideal de masculinidade do absoluto “sangue frio” diante do risco, da dor e da morte. Nesse aspecto, o duelo foi um emblema dessa identidade masculina e proibido às mulheres. Ao resenhar três livros sobre o assunto em “The Duel in the History of Masculinity” W. Scott Haine resume o enfoque historiográfico europeu sobre o tema[9].
A noção de “código de honra” com origem medieval evoluiu na época moderna para contemplar a burguesia em um novo padrão de conduta e num novo ideal de masculinidade que buscava disciplinar três atividades correlatas ligadas à agressividade e à competitividade que definiam o modelo de comportamento ético masculino: a guerra, o duelo e o esporte.
O código de honra masculino que regeu os duelos era um código costumeiro que subsistiu mesmo diante da proibição formal dos duelos, feita na França por Richelieu, assim como em outros países nos quais o estado moderno absolutista buscou um monopólio da violência.
Com a publicação de um novo código dos duelos na França em 1836 pelo conde de Chatauvillard, o Essai sur le duel, estabeleceu-se a primazia do duelo por esgrima até o “primeiro sangue”, o que fazia ser mínimo o número de mortes. Na Inglaterra, após 1850 também declinou a moda dos duelos. Mas na França ela se manteve numa média de 200 por ano subindo quando havia crises políticas como o caso Dreyfus. Na Alemanha, um padrão mais aristocrático militar prevaleceu fazendo da pistola a arma por excelência dos duelos, o que causava falecimentos em ao menos um quinto deles. Havia menos duelos na Alemanha, mas com resultados muito mais mortíferos. Até mesmo uma figura como o líder socialista F. Lassalle envolveu-se em um duelo, morrendo por isso em 1864. Embora formalmente proibido, até mesmo o chanceler Bismarck desafiou em 1865 o político e cientista Virchow a um duelo que não se realizou.
Na Itália moderna e contemporânea os duelos teriam perdurado mais tempo do que em qualquer outro país europeu e o próprio Mussolini teria participado ao menos de cinco quando jovem[10]. O modelo de identidade hipermasculina da Itália teria, dessa forma, muito a ver com a exaltação da violência agonística ritualizada.
No Brasil, o duelo sempre foi proibido, mas mesmo assim realizado. Como escreve J. R. M. Remedi, “em razão da proibição vigente desde os tempos coloniais das práticas de duelos, era considerado um crime lesa-majestade, ou seja, contra a honra do próprio imperador”, mas, “apesar de proibido pela lei brasileira, os duelos eram mais frequentes que imaginamos e, raramente, produziam condenações maiores aos praticantes”[11]. O caso mais célebre talvez seja o que envolveu o general Bento Gonçalves que, em 1844, considerando-se insultado desafiou seu camarada de armas, o coronel Onofre Pires, ambos líderes da revolução Farroupilha, e este último, ferido, acabou morrendo após alguns dias.
Esse duelo é emblemático, pois ambos os contendores eram primos-irmãos e amigos e camaradas de armas havia trinta anos. Bento, general dos Farrapos, começou a ser questionado pela facção liderada por David Canabarro, à qual se passou Onofre Pires. Após intrigas e acusações, Bento escreve uma carta pedindo confirmação das acusações e Onofre escreve outra confirmando, o que leva Bento a desafiá-lo ao duelo de espadas. Na manhã de 27 de fevereiro de 1844, vão a cavalo para um local onde lutam e, mesmo sendo mais jovem que Bento em 11 anos e de imensa estatura, Onofre é ferido no antebraço direito. O duelo acaba, o próprio Bento o socorre, mas a ferida gangrena e ele morre em poucos dias. Esse duelo, que foi tema de vasta literatura[12] e é encenado até hoje em comemorações de tradições gaúchas, sintetiza a tragédia da violência por honra que irrompe entre homens que se amavam como irmãos, mas chegam a se ferir de morte duelando.
A honra era ferida por palavras proferidas em público sem que tivesse havido posteriores desculpas também públicas, o que trazia ao ofendido, caso não buscasse uma reparação, a pior das vergonhas. A ofensa podia ser também a uma mulher, por palavras ou atos, o que levaria imediatamente aos seus parentes diretos a necessidade de restaurá-la por meio do sangue. Nesse caso, a escolha das armas cabia ao ofendido, sendo tradicional também no Brasil a opção entre a espada e a pistola. No caso gaúcho, especialmente na cultura da fronteira, uma modalidade de duelo comum era com o uso de facas.
Da mesma forma que no código francês de 1836, também no Brasil eram “frequentes os relatos dos duelos cavalheirescos em que os tiros são disparados para o alto, sem intenção de ferir o oponente. Tal situação se dava devido ao entendimento de que bastava entre homens de honra colocar-se de peito aberto frente a uma pistola para provar a sua coragem e resolução. Assim como muitos duelos acabavam nos primeiros ferimentos que vertessem sangue, quase sempre com a enunciação da conhecida sentença: um gota de sangue de um homem honrado é suficiente para retirar as nódoas da ofensa”.[13]
O estado mental da violência é assemelhado às vezes ao da fúria e, na busca dessa condição, os homens usaram, muitas vezes em condições de monopólio de gênero, drogas psicoativas capazes de alterar a consciência e aumentar a predisposição para a violência. A mais comum dessas drogas sempre foi o álcool, proibido ou censurado para as mulheres em muitas sociedades.
No livro Selvagens bebedeiras, João Azevedo Fernandes mostra como o uso das bebidas alcoólicas para fins de agonismo masculino, ou seja, de disputa e combate, foi uma característica marcante das sociedades ameríndias, servindo para a construção do “ethos guerreiro”.
Esse beber viril continuou a existir na cultura masculina dos bares, em que a quantidade de bebida ingerida equivalia à suposta masculinidade que se buscava demonstrar. Como escreve Jack London, em suas Memórias alcoólicas, “quando moço, graças à taverna escapei às limitações da influência feminina e me lancei no vasto e livre mundo dos homens” (p.14).
No Brasil, a cultura da aguardente foi fundamental para o desempenho da mão de obra escrava, especialmente no âmbito da mineração. Mais tarde, a vida urbana nacional também conheceu um uso de bebidas que eram servidas em estabelecimentos específicos, de frequência majoritariamente masculina.
O beber como “macho” toma também uma forma de duelo, em que se disputa a capacidade de ingerir maiores quantidades em menor tempo. O ambiente do bar se constitui como o espaço de socialização prioritário do trabalhador masculino, em contraposição ao ambiente doméstico governado pelos princípios femininos da vida familiar.
Em contraposição a essa vida pública masculina nos espaços da alcoolização, emergiu desde o século XIX um discurso médico, de matriz eugenista, que condenava as bebidas alcoólicas sob o argumento de que elas comprometem a masculinidade tanto organicamente, por provocarem impotência, atrofia dos testículos e até mesmo a morte, como do ponto de vista moral, por afastarem os homens da família e do trabalho[14].
O declínio da prática dos duelos no mundo ocidental foi acompanhado da institucionalização cada vez maior dos esportes como arena das disputas masculinas, onde a própria esgrima e as artes marciais em geral assumiram cada vez mais a condição de uma prática esportiva do que de uma luta. Por essa razão, a participação feminina nos esportes foi muito limitada até o final do século XX. Mesmo em maratonas, mulheres não eram admitidas até os anos de 1970. A elevação do duelo esportivo à condição emblemática da disputa viril ritualizada com violência atenuada pode se verificar numa pesquisa da ocorrência da palavra “duelo” num programa de busca na Internet, em que praticamente todas as menções vão tratar de esportes.
O exercício da violência como prerrogativa masculina extravasou a esfera direta do conflito militar para investir toda a representação da masculinidade com os seus atributos: códigos de honra como “códigos de cavalheiros” na ritualização da agressividade e no seu direcionamento a formas atenuadas de disputa, tanto no âmbito dos esportes, como nos duelos e nas práticas de ingestão alcoólicas, todas codificadas como exercícios de masculinidade. A virilidade assim se constitui como um conjunto de hábitos e símbolos, como vícios da violência codificada e protocolada em que o lutar, o jogar, o beber, o brigar são socialmente moldados como representações do duelo, de forma a inscrever a diferença dos sexos num teatro social em que o protagonismo da violência literal e simbólica é estabelecida como a virtude por excelência dos homens, mesmo que estes cenários venham sendo, nas últimas décadas, alterados pela emergência dos movimentos feministas e de igualdade de direitos que conquistaram para as mulheres espaços crescentes na vida pública, nos esportes, no consumo alcoólico e mesmo nas atividades militares.
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Henrique Carneiro é historiador, bacharel, mestre e doutor em História Social pela USP. Professor na cadeira de História Moderna no Departamento de História da USP (Universidade de São Paulo), é também pesquisador do Núcleo de Estudos Interdisciplinares sobre Psicoativos (NEIP). Publicou seis livros e diversos artigos para jornais e revistas acadêmicas (ver aqui). Sua linha de pesquisa atual aborda a história da alimentação, das drogas e das bebidas alcoólicas. Seus textos publicados em Outras Palavras estão publicados aqui
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Referências bibliográficas:
BESSEL, Richard, Alemanha, 1945, São Paulo, Companhia das Letras, 2010.
FERNANDES, João Azevedo, Selvagens bebedeiras. Álcool, embriaguez e contatos culturais no Brasil colonial (séculos XVI-XVII), São Paulo, Alameda, 2011.
HARRIS, Ruth, Assassinato e loucura. Medicina, leis e sociedade no fin de siècle, Rocco, Rio de Janeiro, 1993.
LONDON, Jack, Memórias alcoólicas, São Paulo, Editora Paulicéia, 1993.
MATOS, Maria Izilda Santos de, Meu lar é um botequim. Alcoolismo e masculinidade, São Paulo, CEN, 2000.
REMEDI, José Martinho Rodrigues, Palavras de Honra: um estudo acerca da honorabilidade na sociedade sul-rio-grandense no século XIX, a partir dos romances de Caldre e Fião, Tese de Doutorado em História apresentada ao Programa de Pós-Graduação em História, Área de Concentração: Estudos Históricos Latino-Americanos, da Universidade do Vale do Rio dos Sinos-UNISINOS, São Leopoldo- RS, 2011.
TÜCKER, Christoph, Filosofia do sonho, Ijuí, Editora Unijuí, 2010.
Notas:
[1] Para uma crítica feminista à história da dominação masculina no campo da teoria política do contrato, vide O Contrato sexual, de Carole Pateman (São Paulo, Paz e Terra, 1993)
[2] C. Tücker, Filosofia do sonho, Ijuí, Editora Unijuí, 2010, p.61.
[3] Eleanor B. Leacock, em Myths of Male Dominance. Collected Articles on Women Cross-Culturally (Monthly Review Press, 1982) traz uma ampla discussão sobre esta temática revendo as teses de Morgan, Bachofen, Engels, etc.
[4] Vide Sexo invisível. O verdadeiro papel da mulher na pré-história, J. M. Adovasio; Olga Soffer e Jake Page, Rio de Janeiro, Record, 2009.
[5] Sobre as relações entre as identidades masculinas e a prática da guerra e a história dos códigos cavalheirescos vide Robert A. Nye, Western Masculinities in War and Peace, The American Historical Review, vol. 112, nº 2, abril de 2007, inhttp://www.historycooperative.org/journals/ahr/112.2/nye.html
[6] Richard Bessel, em Alemanha, 1945 (p.151) escreve que “a necessidade de humilhar a outrora poderosa e agora impotente “raça dominante” era muito forte. Isso, e não apenas o desejo sexual desenfreado, é que parece ter estimulado a maior parte da violência sexual das tropas invasoras na Alemanha em 1945.”
[7] Jesse J. Prinz, in http://my.psychologytoday.com/print/86893
[8] Vide Ruth Harris, Assassinato e Loucura. Medicina, leis e sociedade no fin de siècle (Rio de Janeiro, Rocco, 1993), p.247.
[9] Comentando desde o livro de V. G. Kiernan, The Duel in European History: Honor and the Reign of Aristocracy (Oxford: Oxford University Press, 1986) até três livros mais recentes: Peter Gay, The Cultivation of Hatred. Vol. III, The Bourgeois Experience: Victoria to Freud (New York and London: W. W. Norton & Co., 1993); Kevin McAleer, Dueling: The Cult of Honor in fin-de-siècle Germany (Princeton: Princeton University Press, 1994) e Robert A. Nye, Masculinity and Male Codes of Honor in Modern France. Studies in the History of Sexuality (New York and Oxford: Oxford University Press, 1993).
[10] Steven Hughes, Politics of the sword. Dueling, Honor, and Masculinity in Modern Italy, Ohio State University press, 2007.
[11] Palavras de Honra: um estudo acerca da honorabilidade na sociedade sul-rio-grandense no século XIX, a partir dos romances de Caldre e Fião, de José Martinho Rodrigues Remedi, Tese de Doutorado em História apresentada ao Programa de Pós-Graduação em História, Área de Concentração: Estudos Históricos Latino-Americanos, da Universidade do Vale do Rio dos Sinos-UNISINOS, São Leopoldo- RS, 2011, pp.216 e 220.
[12] A tese de J. M. R. Remedi trata especialmente da obra literária de José Antonio do Vale Caldre e Fião, cujo livro O Corsário: romance rio-grandense (1979) trata do tema do duelo.
[13] Idem, p.218.
[14] MATOS, Maria Izilda Santos de, Meu lar é um botequim. Alcoolismo e masculinidade, São Paulo, CEN, 2000.
Diário Liberdade
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04/04/2013
MP investiga compra irregular de prédio com verba do Fundeb em São Gonçalo-RJ
O MP-RJ (Ministério Público do Rio de Janeiro) abriu inquérito civil público para investigar irregularidades na aplicação de verbas do Fundeb (Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação) em São Gonçalo, município da região metropolitana do Rio de Janeiro.
Com escolas em obras, mil alunos de São Gonçalo (RJ) ainda não sabem onde vão estudar
Segundo o MP, a Prefeitura de São Gonçalo usou R$ 9,5 milhões de recursos do fundo para a aquisição de um imóvel onde foram instaladas secretarias e outros órgãos públicos municipais, o que representaria um desvio de finalidade das verbas destinadas à educação.
Responsável pelo inquérito, a promotora Renata Neme Cavalcanti, da Promotoria de Tutela Coletiva de São Gonçalo, aponta ainda um suposto superfaturamento na compra do edifício, cuja desapropriação foi concretizada em novembro do ano passado. Em 1995, o mesmo prédio estava avaliado em R$ 80 mil.
"Não usaram a verba adequadamente", disse a promotora. "A gestão anterior [da então prefeita Aparecida Panisset (PDT)] empregou a verba na aquisição de nova sede para outras secretarias, o que é totalmente irregular. Além disso, a compra foi publicada no diário oficial do município no dia 30 de novembro de 2012, sendo pago 15 dias depois. Tudo muito rápido e no apagar das luzes", acrescentou.
Procurada, a Prefeitura de São Gonçalo –agora comandada por Neílton Mulim (PR), que derrotou o candidato de Aparecida Panisset nas eleições de 2012 – afirmou estar auxiliando o MP nas investigações. Por meio de nota, a Secretaria de Controle Interno confirmou a denúncia disse que "todas as informações já foram prestadas ao Ministério Público, tendo sido detectado suposto desvio de finalidade e supervalorização".
Sem aulas
Enquanto o MP apura o desvio de verbas da educação, cerca de 1.000 alunos da rede municipal de São Gonçalo ainda não sabem onde vão estudar em 2012. Isso porque, de acordo com o a Secretaria de Educação, a administração anterior inaugurou e abriu matrículas para unidades que não estavam prontas.
Pelo menos 4.000 estudantes terão de ser remanejados. Desses, aproximadamente mil estudantes, como alunos do colégio Valéria de Mattos Fontes do bairro do Boaçu, ainda não têm assegurados vagas nos colégios alternativos.
Apesar disso, a Prefeitura assegura que o calendário de aulas será mantido e que cumprirá o mínimo de 200 dias letivos. O início das aulas está previsto para o dia 18 de fevereiro.
FONTE ? UOL
Com escolas em obras, mil alunos de São Gonçalo (RJ) ainda não sabem onde vão estudar
Segundo o MP, a Prefeitura de São Gonçalo usou R$ 9,5 milhões de recursos do fundo para a aquisição de um imóvel onde foram instaladas secretarias e outros órgãos públicos municipais, o que representaria um desvio de finalidade das verbas destinadas à educação.
Responsável pelo inquérito, a promotora Renata Neme Cavalcanti, da Promotoria de Tutela Coletiva de São Gonçalo, aponta ainda um suposto superfaturamento na compra do edifício, cuja desapropriação foi concretizada em novembro do ano passado. Em 1995, o mesmo prédio estava avaliado em R$ 80 mil.
"Não usaram a verba adequadamente", disse a promotora. "A gestão anterior [da então prefeita Aparecida Panisset (PDT)] empregou a verba na aquisição de nova sede para outras secretarias, o que é totalmente irregular. Além disso, a compra foi publicada no diário oficial do município no dia 30 de novembro de 2012, sendo pago 15 dias depois. Tudo muito rápido e no apagar das luzes", acrescentou.
Procurada, a Prefeitura de São Gonçalo –agora comandada por Neílton Mulim (PR), que derrotou o candidato de Aparecida Panisset nas eleições de 2012 – afirmou estar auxiliando o MP nas investigações. Por meio de nota, a Secretaria de Controle Interno confirmou a denúncia disse que "todas as informações já foram prestadas ao Ministério Público, tendo sido detectado suposto desvio de finalidade e supervalorização".
Sem aulas
Enquanto o MP apura o desvio de verbas da educação, cerca de 1.000 alunos da rede municipal de São Gonçalo ainda não sabem onde vão estudar em 2012. Isso porque, de acordo com o a Secretaria de Educação, a administração anterior inaugurou e abriu matrículas para unidades que não estavam prontas.
Pelo menos 4.000 estudantes terão de ser remanejados. Desses, aproximadamente mil estudantes, como alunos do colégio Valéria de Mattos Fontes do bairro do Boaçu, ainda não têm assegurados vagas nos colégios alternativos.
Apesar disso, a Prefeitura assegura que o calendário de aulas será mantido e que cumprirá o mínimo de 200 dias letivos. O início das aulas está previsto para o dia 18 de fevereiro.
FONTE ? UOL
Escola estadual em São Gonçalo protestará na sexta-feira (dia 5 de abril) contra a carência de 40 funcionários administrativos na unidade
A comunidade escolar (professores, alunos e
responsáveis) do Colégio Estadual Trasilbo Filgueiras (Rua Saint Diniz
s/nº - Jardim Catarina) realizará um ato de protesto contra a falta de
funcionários no dia 05/04 (sexta feira), às 11h30m. O ato será realizado
na porta da unidade e contará com a presença dos moradores das
comunidades do entorno do colégio.
No dia 08/04, uma comissão de pais, alunos, professores e funcionários irá à SEEDUC entregar um abaixo assinado para denunciar as precárias condições de funcionamento da escola, que sofre com a falta de merendeiras, porteiros, vigias, inspetores de alunos e serventes. Hoje a escola conta com aproximadamente 1300 alunos e faltam 40 funcionários em seu quadro. Além da falta de professores, coordenadores pedagógicos e orientadores educacionais.
SEPE
No dia 08/04, uma comissão de pais, alunos, professores e funcionários irá à SEEDUC entregar um abaixo assinado para denunciar as precárias condições de funcionamento da escola, que sofre com a falta de merendeiras, porteiros, vigias, inspetores de alunos e serventes. Hoje a escola conta com aproximadamente 1300 alunos e faltam 40 funcionários em seu quadro. Além da falta de professores, coordenadores pedagógicos e orientadores educacionais.
SEPE
01/04/2013
Concursos:Vagas para professores no Estado do Rio
Quatro concursos oferecem mais de 650 vagas para profissionais da edução nas mais diversas modalidades. Salários chegam a R$ 2,6 mil em diversos municípios do Rio
Este é um bom momento para quem pretende se tornar professor da rede pública. Estão abertos quatro concursos em diversas áreas no Estado. As prefeituras de Casimiro de Abreu e de Três Rios, junto com as secretarias Estadual de Educação (Seeduc) e Municipal de Educação do Rio (SME) oferecem, ao todo, 653 oportunidades.
A Secretaria Estadual de Educação (Seeduc) abre processo seletivo para o preenchimento de 362 vagas e formação de cadastro de reserva para professores que querem integrar o quadro permanente do magistério estadual.
As 362 vagas estão distribuídas entre professor de 30 horas e de 16 horas, sendo 144 para a carga horária maior (84 para física, 47 para geografia, 12 para química e uma para língua portuguesa) e 218 para carga horária menor, que serão distribuídas pelas disciplinas de artes (73), filosofia (82), sociologia (45), inglês (17), e ciências (1). Para a disciplina de matemática haverá somente cadastro de reserva.
Nesses dois concursos, a Secretaria de Educação oferece vagas imediatas, distribuídas por vários municípios, e formação de cadastro de reserva para docentes I com carga semanal de 16 e 30 horas e para ensino religioso, cujos salários variam entre R$ 1.001,82 e R$ 1.878,40, mais auxílio-transporte e auxílio-alimentação.
Haverá formação de cadastro de reserva para biologia, educação física, espanhol, história e disciplinas pedagógicas. O concurso para professor de ensino religioso, com carga de 16 horas, será para formação de cadastro de reserva. Para concorrer será preciso comprovar licenciatura plena e credenciamento emitido pela autoridade religiosa competente dos Credos credenciados na Secretaria de Educação: católico, evangélico, judaico, espírita, umbandista, messiânico, mórmon e islâmico.
Os interessados podem se inscrever até o dia 14 de abril pelo site www.ceperj.rj.gov.br, da Fundação Ceperj (Centro Estadual de Estatísticas, Pesquisas e Formação de Servidores Públicos do Rio de Janeiro).
Para professores sem possibilidade de acesso à internet, a instituição disponibiliza posto de inscrição presencial, que funcionará durante todo o período em sua sede, na Avenida Carlos Peixoto, 54, térreo, Botafogo, na Zona Sul do Rio. O atendimento será feito sempre nos dias úteis, das 10h às 16h. As taxas custam R$ 50 para professor de 16 horas e R$ 70 para professor de 30 horas. As provas estão previstas para acontecer no dia 19 de maio.
O seleção será através de uma prova objetiva, e avaliação de títulos, cujos documentos deverão ser entregues no dia da realização da prova, ou seja, 19 de maio. Aqueles que se candidatarem ao ensino religioso também deverão fazer a prova discursiva. Os exames serão aplicados na capital e nos municípios de Niterói, Cabo Frio, Três Rios, Vassouras, Volta Redonda, Angra dos Reis, Nova Iguaçu, São Gonçalo, Duque de Caxias, Belford Roxo, Itaperuna, Santo Antônio de Pádua, Campos dos Goytacazes, Macaé, Petrópolis, Nova Friburgo e Cantagalo.
Os interessados poderão tirar suas dúvidas e obter outras informações sobre o concurso através dos números: 2334-7100, 2334-7132 e 2334 7117. O atendimento é feito nos dias úteis, das 10h às 18h.
Rio – Já a Secretaria Municipal de Educação do Rio (SME) abriu concurso de magistério, disponibilizando 160 vagas para professor II. O concurso tem 119 oportunidades regulares, além de 32 vagas para negros e índios; e nove para pessoas com deficiência.
A remuneração inicial é de R$ 2.698,01 de salário-base para jornada de 40 horas semanais. Os professores também vão receber R$ 121 de auxílio-transporte, R$ 114,71 de bônus cultura e R$ 264 de benefício alimentação. As oportunidades são para as 2ª, 3ª. 4ª, 5ª, 6ª, 7ª. 8ª e 11ª Coordenadorias Regionais de Educação (CRE).
Para concorrer a uma das vagas, os candidatos precisam ter curso normal superior com habilitação em docência nos anos iniciais do ensino fundamental; ou licenciatura plena em pedagogia com habilitação em docência nos anos iniciais do ensino fundamental; ou habilitação específica em curso superior de graduação correspondente à licenciatura plena (ensino fundamental) e habilitação em docência nos anos iniciais do ensino fundamental (curso de formação de professores - nível médio).
As inscrições poderão ser feitas até o dia 15, pelo site da Prefeitura do Rio de Janeiro, www.concursos.rio.rj.gov.br. A taxa de inscrição é de R$ 60.
No ato da inscrição o candidato deverá assinalar a opção de CRE para qual deseja concorrer. Se tiver o interesse, poderá fazer parte da classificação geral. Se concordar em fazer parte da classificação geral, o candidato deverá escolher optar por um dos três grupos do CRE.
Este é um bom momento para quem pretende se tornar professor da rede pública. Estão abertos quatro concursos em diversas áreas no Estado. As prefeituras de Casimiro de Abreu e de Três Rios, junto com as secretarias Estadual de Educação (Seeduc) e Municipal de Educação do Rio (SME) oferecem, ao todo, 653 oportunidades.
A Secretaria Estadual de Educação (Seeduc) abre processo seletivo para o preenchimento de 362 vagas e formação de cadastro de reserva para professores que querem integrar o quadro permanente do magistério estadual.
As 362 vagas estão distribuídas entre professor de 30 horas e de 16 horas, sendo 144 para a carga horária maior (84 para física, 47 para geografia, 12 para química e uma para língua portuguesa) e 218 para carga horária menor, que serão distribuídas pelas disciplinas de artes (73), filosofia (82), sociologia (45), inglês (17), e ciências (1). Para a disciplina de matemática haverá somente cadastro de reserva.
Nesses dois concursos, a Secretaria de Educação oferece vagas imediatas, distribuídas por vários municípios, e formação de cadastro de reserva para docentes I com carga semanal de 16 e 30 horas e para ensino religioso, cujos salários variam entre R$ 1.001,82 e R$ 1.878,40, mais auxílio-transporte e auxílio-alimentação.
Haverá formação de cadastro de reserva para biologia, educação física, espanhol, história e disciplinas pedagógicas. O concurso para professor de ensino religioso, com carga de 16 horas, será para formação de cadastro de reserva. Para concorrer será preciso comprovar licenciatura plena e credenciamento emitido pela autoridade religiosa competente dos Credos credenciados na Secretaria de Educação: católico, evangélico, judaico, espírita, umbandista, messiânico, mórmon e islâmico.
Os interessados podem se inscrever até o dia 14 de abril pelo site www.ceperj.rj.gov.br, da Fundação Ceperj (Centro Estadual de Estatísticas, Pesquisas e Formação de Servidores Públicos do Rio de Janeiro).
Para professores sem possibilidade de acesso à internet, a instituição disponibiliza posto de inscrição presencial, que funcionará durante todo o período em sua sede, na Avenida Carlos Peixoto, 54, térreo, Botafogo, na Zona Sul do Rio. O atendimento será feito sempre nos dias úteis, das 10h às 16h. As taxas custam R$ 50 para professor de 16 horas e R$ 70 para professor de 30 horas. As provas estão previstas para acontecer no dia 19 de maio.
O seleção será através de uma prova objetiva, e avaliação de títulos, cujos documentos deverão ser entregues no dia da realização da prova, ou seja, 19 de maio. Aqueles que se candidatarem ao ensino religioso também deverão fazer a prova discursiva. Os exames serão aplicados na capital e nos municípios de Niterói, Cabo Frio, Três Rios, Vassouras, Volta Redonda, Angra dos Reis, Nova Iguaçu, São Gonçalo, Duque de Caxias, Belford Roxo, Itaperuna, Santo Antônio de Pádua, Campos dos Goytacazes, Macaé, Petrópolis, Nova Friburgo e Cantagalo.
Os interessados poderão tirar suas dúvidas e obter outras informações sobre o concurso através dos números: 2334-7100, 2334-7132 e 2334 7117. O atendimento é feito nos dias úteis, das 10h às 18h.
Rio – Já a Secretaria Municipal de Educação do Rio (SME) abriu concurso de magistério, disponibilizando 160 vagas para professor II. O concurso tem 119 oportunidades regulares, além de 32 vagas para negros e índios; e nove para pessoas com deficiência.
A remuneração inicial é de R$ 2.698,01 de salário-base para jornada de 40 horas semanais. Os professores também vão receber R$ 121 de auxílio-transporte, R$ 114,71 de bônus cultura e R$ 264 de benefício alimentação. As oportunidades são para as 2ª, 3ª. 4ª, 5ª, 6ª, 7ª. 8ª e 11ª Coordenadorias Regionais de Educação (CRE).
Para concorrer a uma das vagas, os candidatos precisam ter curso normal superior com habilitação em docência nos anos iniciais do ensino fundamental; ou licenciatura plena em pedagogia com habilitação em docência nos anos iniciais do ensino fundamental; ou habilitação específica em curso superior de graduação correspondente à licenciatura plena (ensino fundamental) e habilitação em docência nos anos iniciais do ensino fundamental (curso de formação de professores - nível médio).
As inscrições poderão ser feitas até o dia 15, pelo site da Prefeitura do Rio de Janeiro, www.concursos.rio.rj.gov.br. A taxa de inscrição é de R$ 60.
No ato da inscrição o candidato deverá assinalar a opção de CRE para qual deseja concorrer. Se tiver o interesse, poderá fazer parte da classificação geral. Se concordar em fazer parte da classificação geral, o candidato deverá escolher optar por um dos três grupos do CRE.
O candidato que optar pela solicitação de isenção da taxa de inscrição deverá, obrigatoriamente, comparecer nos dias 8 e 9 de abril, das 10h às 13h ou de 14h às 16h, em dois endereços para avaliação da hipossuficiência. Os locais são: VIII Região Administrativa , que fica na Rua Desembargador Isidro, 41, na Tijuca - Praça Saens Pena, ou, na Sede da 8ª Coordenadoria Regional de Educação (CRE) , localizado na Rua Biarritz, 31, em Bangu.
A avaliação dos candidatos será através de três etapas. A primeira consiste em uma prova objetiva com 50 questões e uma questão discursiva. A segunda etapa será uma prova de títulos e, por último, curso de formação básica. Lembrando que o concurso reserva 20% de vagas para negros e índios, conforme a lei de cotas. Há ainda oportunidades para pessoas portadoras de deficiência.
Casimiro de Abreu – Até o dia 10 de abril, a Prefeitura de Casimiro de Abreu está com as inscrições abertas para 95 vagas destinadas ao cargo de professor. Para o nível médio são destinadas 87 vagas para os cargos de professor A e professor A classe especial (deficiência auditiva). Para o nível superior são destinadas oito vagas.
Para se candidatar às vagas para o cargo de professor A, é necessário ter ensino médio completo com curso de formação de professor. Para os cargos de professor A classe especial (deficiência auditiva), é necessário ter o ensino médio completo com curso de formação de professores em libras ou braile. Os salários são de R$ 873,62. A carga horária de 22h. A taxa de inscrição custa R$ 50.
Já para os cargos de nível superior, as vagas são destinadas para professores de ciências, educação artística, educação física, geografia, história, inglês, matemática e português. A carga horária é de 22h. A inscrição é de R$ 70. O salário corresponde a R$ 1.057,54. Para isso, é necessário ter licenciatura na área específica.
As inscrições devem ser feitas através do site www.incp.org.br. Quem tiver interesse de realizar a inscrição presencial, terá até o dia 10 de abril, para realizá-la no Ciep Municipalizado 459, José Bicudo Jardim, que fica na Rua Fábio José Ribeiro, s/n°, Centro de Casimiro de Abreu. O atendimento será somente nos dias úteis, das 10h às 17h.
As provas objetivas estão previstas para acontecer no dia 19 de maio. O exame contará com 40 questões objetivas para todos os níveis. A prova terá duração de três horas e será realizada somente na cidade de Casimiro de Abreu. Lembrando que 5% das vagas são reservadas para pessoas portadoras de deficiência física.
Três Rios – A Prefeitura de Três Rios também oferece oportunidades para professor II nas disciplinas de educação artística, ciências, educação física, geografia, história, matemática e português. Ao todo, são oferecidas 25 vagas. 14 vagas são para o nível superior. Dentre essas, oito são destinadas para área de educação física e uma vaga para as restantes áreas. Outras 10 vagas são para professores do ensino fundamental e uma vaga oferecida para professor de libra.
Para concorrer a uma das vagas para o nível superior, os candidatos necessitam ter licenciatura plena na área específica e no caso de educação física, ter registro no órgão de classe. O salário é de R$ 905,77. São 18 horas semanais, distribuídas em seis dias da semana. A taxa de inscrição é de R$ 60.
Outras 11 vagas são destinadas a professores do ensino fundamental. Desse número, uma vaga é específica para professor de libra. O salário para os cargos é de R$ 870,60. A carga horária semanal de 24h. A taxa de inscrição é de R$ 38.
Até o dia 5 de abril, os candidatos poderão se inscrever pelo site www.incp.org.br ou www.tresrios.rj.gov.br , e presencialmente no Colégio Municipal Walter Francklin- anexo ao Leonel Brizola, que fica na Rua Marechal Deodoro, 117, no Centro de Três Rios. A prova objetiva será composta por 40 questões.
Lembrando que ainda haverá prova de títulos para professores. A data para a entrega da documentação será entre os dias 10 e 14 de junho. O concurso terá dois anos de validade e poderá ser prorrogado, uma vez, pelo mesmo período.
O FLUMINENSE
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