10/01/2012

A universidade não precisa de polícia

Fórum - [Túlio Vianna] As universidades públicas, ao contrário das ruas e praças, não são espaços de uso comum do povo e têm seus estatutos e regimentos específicos.
A PM, por não estar sujeita às normas universitárias, não é o órgão competente para fazer a segurança interna dos campi.

Sempre que ocorre um crime grave em uma comunidade, a consequência imediata é um pânico social. A reação instintiva é buscar hipóteses que, caso estivessem implementadas, poderiam ter evitado o crime. É assim na reunião de condomínio após o arrombamento no prédio e é assim também, com a devida ampliação exponencial, nas reportagens da mídia após atentados terroristas. Todos buscam soluções mágicas para evitar a todo custo que a situação se repita.

E é também logo após estes crimes de grande repercussão que todos se tornam mais dispostos a trocar parte de suas liberdades individuais por um aumento na vigilância que supostamente lhes garantiria maior segurança. Um porteiro para o prédio, nunca antes aventado, passa a ser defendido na assembleia de condomínio como panaceia para o problema, ainda que isso implique um aumento de gastos. E leis que dão maiores poderes à polícia são facilmente aprovadas nos parlamentos, ainda que direitos fundamentais de todos os cidadãos tenham que ser cerceados. A velha barganha de se trocar liberdade por segurança, que tanto tem alimentado o autoritarismo ao longo da história.

Nas universidades, não é diferente. O lamentável episódio do homicídio do estudante Felipe Ramos de Paiva no campus da Universidade de São Paulo (USP) em maio deste ano (*) tornou-se o argumento decisivo dos que defendem a presença da Polícia Militar não só na cidade universitária da USP, mas também nos campi de várias outras universidades públicas pelo país. E na ânsia de legitimar a presença da polícia nas universidades, esquecem-se de que a Polícia Militar estava no campus em horário próximo ao crime, mas não foi capaz de evitá-lo. Pior: esquecem-se de que não é atribuição da Polícia Militar fazer segurança dos campi universitários.

Desvio de função

A USP, assim como grande parte das universidades públicas brasileiras, é uma autarquia. E dentre as atribuições constitucionais das Polícias Militares não está a de fazer a segurança de autarquias. A imensa extensão de muitos campi universitários, em especial o da USP, poderia levar à falsa percepção de que se trata de locais públicos como outros quaisquer e, portanto, sujeitos ao policiamento da PM, mas isso não é verdade.

Nem todo bem público é acessível a qualquer pessoa. Há os bens públicos de uso comum que podem ser usados por qualquer pessoa do povo, como ruas, praças, estradas etc, mas há também os bens públicos de uso especial que são destinados a uma determinada atividade pública específica, como, por exemplo, os prédios das repartições públicas e das universidades. Cabe à Polícia Militar realizar o policiamento ostensivo em locais de uso comum, mas os prédios e terrenos das autarquias são propriedades de uso especial e, como tais, estão sujeitos à responsabilidade dos chefes destas autarquias. É por isso que não se vê PMs fazendo a segurança dos prédios do Banco Central do Brasil, do Incra, do INSS e do Colégio Pedro II.

A segurança dos prédios das autarquias deve ser organizada e paga pela própria autarquia com os recursos de seu orçamento. Isso porque as autarquias possuem autonomia administrativa e os policiais militares, não sendo funcionários do órgão, ficariam na absurda situação jurídica de serem servidores públicos em serviço no prédio da autarquia sem estarem sujeitos às ordens do chefe da casa.

Os órgãos públicos, sejam eles quais forem, estão concebidos a partir de uma organização hierárquica que pressupõe um comando único. A presença de policiais militares em serviço em uma autarquia pode gerar situações absurdas nas quais as ordens do chefe da autarquia são desrespeitadas, já que os policiais não se subordinam ao seu comando.

Um caso paradigmático ocorrido em abril de 2008 na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) ilustra bem o problema de se ter uma polícia não sujeita ao estatuto e ao regimento da universidade em serviço no campus. Alunos do Instituto de Geociências (IGC) da UFMG promoviam a exibição do documentário Grass (1999), que trata da descriminalização da maconha, quando foram interrompidos pela Polícia Militar, que proibiu a execução do filme com o surreal argumento de tratar-se de apologia às drogas. No caso em questão, a ação da polícia foi lamentavelmente solicitada pela própria direção da faculdade e, portanto, não houve um conflito de orientações. Em tese, porém, seria perfeitamente possível imaginar uma situação na qual a polícia desejasse proibir a exibição do documentário sobre a legalização das drogas (ou um seminário ou qualquer outra atividade acadêmica) e a direção da faculdade autorizasse a atividade. Então, ter-se-ia a absurda situação de servidores públicos armados dentro da universidade desrespeitando as ordens de quem tem, por determinação constitucional, autonomia universitária.

Guarda universitária

A presença da Polícia Militar nos campi das universidades públicas brasileiras é uma aberração jurídica que só pode ser superada com a criação das guardas universitárias ou o seu fortalecimento onde ela já existe, como é o caso da USP. As guardas universitárias são de responsabilidade única e exclusiva dos órgãos de direção da universidade e eventuais abusos podem ser muito mais facilmente prevenidos e solucionados internamente. Claro que nada impede que, como em qualquer autarquia, a Polícia Militar seja chamada, caso necessário, a comparecer ao local para reprimir um crime que esteja ocorrendo. A segurança cotidiana da autarquia, porém, deve ser realizada por uma guarda interna, que deverá ser treinada tal como qualquer segurança de universidades particulares. Se é possível às universidades particulares fazerem a segurança de seus campi sem a necessidade da presença da Polícia Militar, também é perfeitamente possível que as universidades públicas assim o façam. É bem verdade que os campi das universidades públicas em regra são bem maiores e mais complexos que os da maioria das particulares, mas seu orçamento também é maior e parte dele precisa ser destinado à garantia da segurança interna.

Isso não quer dizer também que os universitários terão imunidade para usarem drogas dentro do campus, o que parece ser a preocupação prioritária dos moralistas de plantão. A lei penal vale dentro e fora dos prédios das autarquias e, caso pratiquem qualquer crime, poderão ser responsabilizados por eles. Quem deve decidir, porém, se a prioridade da guarda universitária é prevenir homicídios e estupros ou combater o uso de drogas é a direção da universidade, por meio de seus órgãos colegiados representativos de professores, alunos e funcionários. Ao abrir as portas do campus para a PM, deixa-se ao arbítrio da própria polícia decidir quais crimes desejam prevenir prioritariamente. Na ausência de recursos para se evitar todos os crimes e na ânsia por combater o uso de drogas, a PM pode acabar deixando de combater os crimes em razão dos quais foi convidada a entrar no campus, que são justamente aqueles que colocam em risco a vida e a integridade corporal da comunidade acadêmica.

Já a guarda universitária, como qualquer outro serviço de segurança, deve ser concebida para proteger prioritariamente a integridade física e o patrimônio das pessoas que frequentam o local. Se eventualmente flagrarem outro tipo de crime sendo praticado, podem e devem agir, até porque, na maioria das vezes, tais crimes também constituem infrações disciplinares previstas nas normas internas da universidade. Mas quem deve pautar as prioridades da guarda universitária é a própria comunidade acadêmica por meio de seus representantes nos órgãos de direção.

Evidentemente, haverá gasto de dinheiro público para organizar e equipar as guardas universitárias. É preciso lembrar, porém, que a presença da Polícia Militar nos campi também custa dinheiro aos cofres públicos e ainda tem o inconveniente de retirar os policiais que deveriam estar velando pela segurança de pessoas que transitam por bens de uso comum para realizarem serviço típico de seguranças em autarquias que atendem apenas uma parcela limitada da população.

É preciso que se compreenda que uma coisa é serviço de segurança de instituição de ensino e outra é policiamento de locais de uso comum do povo. Situações distintas precisam de profissionais com treinamentos diversos e, principalmente, subordinados a autoridades diversas para cumprirem bem seus papéis. Procurar resolver os problemas de segurança nos campi universitários por meio de convênios com a Polícia Militar nada mais é que o famigerado "jeitinho brasileiro", cuja inconstitucionalidade já teria sido alardeada, não fosse o discurso conservador que insiste obsessivamente em levar a Polícia Militar para dentro dos campi mais com objetivos moralizantes de combate às drogas de que como solução para os efetivos problemas internos de segurança universitária.

Túlio Vianna é professor de Direito Penal da UFMG. Doutor (UFPR) e Mestre (UFMG) em Direito. Também e blogueiro.
(*) O ano referido é 2011, já que o artigo faz parte da edição Fórum 105, de dezembro de 2011.

Fonte: Diário Liberdade


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07/01/2012

O orçamento 2012 traduzido por Carlos Latuff

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FONTE:http://mariafro.com.br/wordpress/

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Gramsci e os Movimentos Sociais

Antonio Gramsci1, assim como Marx, concebia o capitalismo como um modo de produção essencialmente mundializante, argumentando que há sempre um recorte entre o local, o nacional e o mundial. Para Gramsci a internacionalização é articulada e estruturada a partir de dois enfoques interdependentes e interdeterminantes: o fato em si e a visão do fato. O segundo aspecto é o mais relevante, pois esta visão de mundo é que irá determinar a universalidade e a abrangência dessa concepção (de universalidade) de mundo na ordem mundial.

Gramsci assinala um papel central da cultura nesse processo de globalização, o que fica claro com o emprego do conceito de hegemonia.

A hegemonia consiste em uma visão de mundo, sistemática e totalizante, que visa dirigir e abranger todas as classes sociais2. É construída uma visão de dominação que impulsionada pelos meios advindos da industria cultural, tendem a mascarar o conteúdo classista e buscar uma neutralidade que não existe nos acontecimentos.

A questão central em Gramsci se refere à capacidade dos grupos sociais, por meios dos intelectuais, proporem concepções que embora sejam a leitura de uma classe social, possam se tornar universais, superando o particular e o tornando global, permitindo assim o exercício da hegemonia, conforme Gruppi3: “A hegemonia é isso: capacidade de unificar através da ideologia e de conservar unido um bloco social que não é homogêneo, mas sim marcado por profundas contradições de classe”4.

Ressalta-se a concepção de poder fundamentado na capacidade de um determinado grupo social, dirigir por meio de um consenso, outro grupo social antagônico, afirmando uma vontade universal a qual o objetivo é implantar um modelo econômico-politico e cultural. Nesse sentido, a classe dominada acabaria por assumir esse discurso que não lhe pertence, que não é próprio da sua classe.

Entretanto para Gramsci, há a possibilidade de uma transformação social, uma reforma ideológico-cultural conduzida pelas classes populares. Este projeto teria como um dos atores principais os intelectuais, que seriam responsáveis pela formulação e publicidade das novas idéias que reformariam a sociedade, criando uma contra-hegemonia. Para Gramsci: “toda relação de hegemonia é necessariamente uma relação pedagógica e se verifica não apenas no interior de uma nação, entre as diversas forças que a compõem, mas em todo o campo internacional e mundial, entre conjuntos de civilizações nacionais e continentais”5.

Será ainda possível, no mundo moderno, a hegemonia cultural de uma nação sobre as outras? Ou já estará o mundo de tal modo unificado na sua estrutura econômico-social, que um país, ainda que podendo ter cronologicamente a iniciativa de uma inovação, não pode, porém, conservar o monopólio político e, portanto servir-se de tal monopólio como base de hegemonia? Qual significado que ainda pode ter hoje o nacionalismo? Não será ele possível apenas como imperialismo econômico-financeiro e não mais como primado civil ou hegemonia político intelectual?”6.

Nesta afirmação, Gramsci põe em duvida a capacidade do Estado-Nação em um mundo onde o capitalismo se unifica internacionalmente tanto na seara política como na cultural, relativizando, portanto, o papel do Estado-Nação no cenário da correlação de forças do sistema internacional, Assim Gramsci minimiza o conceito de nação e de imperialismo, embora não os descarte em sua teoria.
Como bom marxista, Gramsci considerava o capital “um organismo em continuo movimento, capaz de absorver toda a sociedade, assimilado-a ao seu nível cultural e econômico”, portanto o capitalismo é apátrida, para ele não há fronteiras, nem particularidades culturais.

A globalização altera o espaço e a correlação de forças nas relações internacionais, com a globalização há uma redefinição do que é soberania e um novo alcance das estruturas de poder que contemplam as transnacionais e as organizações internacionais.

É preciso levar em consideração que com as relações internas de um Estado-Nação se entrelaçam as relações internacionais, criando novas combinações originais, e historicamente concretas. Uma ideologia, nascida em um país mais desenvolvido, difunde-se em países menos desenvolvidos, incidindo no jogo local das combinações”7
Daí podemos concluir8 que muitos movimentos surgidos no âmbito nacional, seriam resultados, ou melhor, construídos a partir de uma lógica internacionalista, sendo produto da luta dos movimentos em nível mundial, pois muitos dos interesses estrangeiros são caracterizados como nacionais para que estes possam ser legitimados localmente.
Em Gramsci, já é concebido o alcance transnacional do capitalismo e que os atores das relações internacionais não estão mais presente apenas num ambiente local, mas interconectam se em ambientes diferentes, condicionando o local (o macro determinando o micro, o mundial determinando o nacional).
Para o autor, as transformações sociais passam pelo advento de novos valores culturais. Uma contra-hegemonia, conduzida pelos intelectuais e pelos movimentos populares, dariam vazão a uma nova visão de mundo e coesão social, permitindo a ação de um bloco histórico que se contraponha ao pensamento hegemônico.
Gramsci atento ao sentido mundializador das questões culturais, alerta para o sentido progressivo de substituição das visões localistas e nacionalistas por outras de cunho cosmopolita, de um poder substancialmente maior, pois essas manifestações estão afinadas com concepções universais e de transformação coletiva do mundo.
Isto é valido não somente para as manifestações de caráter secular, como as de caráter tradicional, como as manifestações religiosas, pois as grandes religiões como o cristianismo e o islamismo superam a visão particularista das religiões nacionais, pois as linguagens mais simples acabam por serem sufocadas pelas abordagens mais complexas.
A tese cosmopolita9 de Gramsci é considerada de suma importância para sua teoria de cultura, visa informar aos lideres dos movimentos internacionalistas que qualquer posicionamento só tem chance de obtenção de sucesso, se forem levados em conta às necessidades da vida e as exigências da cultura dos povos, as lutas nacionais passam a estar submissas a problemática cultural, e esta não pode estar subordinada apenas a política e a luta de classes, preconizando a superação do afastamento entre cultura e povo, entre intelectuais e a massa.

O debate sobre a globalização, lançado pelos movimentos sociais, apresenta hoje o que Gramsci chama de “guerra de posição”10 um embate teórico que afirme e forme gerações, que aprofundem ou desafiem concepções de mundo, é portanto um embate cultural, que visa uma internalização de uma hegemonia, pela capacidade de buscar alternativas e experiências que busquem o convencimento ou não de novas maneiras de enxergar o mundo. 

Dentro dos paradigmas gramscianos e refletindo a sociedade atual concebemos que uma ferramenta interessante de criação de uma contra-hegemonia, precisaria, sobretudo, pensar uma estratégia para os aparelhos tecnológicos e de comunicação, como já é praticado por diversos movimentos sociais espalhados pelo mundo.

Na sociedade moderna, então, não é suficiente ocupar fábricas ou entrar em confronto com o Estado. O que também deve ser contestado é toda a área da “cultura”, definida em seu sentido mais amplo, mais corriqueiro. O poder da classe dominante é espiritual assim como material, e qualquer “contra hegemonia” deve levar sua campanha política até esse domínio, até agora negligenciado, de valores e costumes, hábitos discursivos e práticas rituais”.11.


Portanto os movimentos sociais em seu campo de atuação poderão se utilizar de meios de comunicação de massa, que venham criar mecanismos de contraposição às concepções hegemônicas, podendo assim construir novos saberes e visões políticas contra hegemônicas, e difundi-las à opinião publica mundial. Nesse sentido o intelectual orgânico preconizado por Gramsci seria uma espécie de comunicador ativista dos movimentos sociais, se contrapondo culturalmente aos intelectuais do modelo dominante da globalização neoliberal. 

Os meios de comunicação podem produzir, em termos quantitativos e qualitativos, um universo cultural e informativo superior àquele elaborado de forma natural, espontânea e artesanal. Não obstante, esse processo precisa ser qualificado de modo consciente, como ação das instâncias políticas e técnicas, sob hegemonia da ideologia revolucionária e articulada dialeticamente com os interesses e consciência das massas. Através dos modernos meios de comunicação radicaliza-se a possibilidade das transformações na consciência e na cultura. Portanto, aumenta a possibilidade do sujeito coletivo agir diretamente sobre si mesmo, a partir de suas diferenças internas, contradições e potencialidades daí decorrentes”.12

Nesse aspecto ganha centralidade o já apontado e clássico exemplo do Exercito Zapatista de Libertação Nacional (EZLN) e sua forte estratégia de usar a Internet como meio de divulgar seu ideário e suas ações, permitindo assim a construção de apoios e alianças na sociedade civil organizada.

Outra questão que apresenta muita relação com as abordagens gramscianas de criação de uma nova hegemonia das classes subalternas, transparece no exemplo do MST, que está formando seus próprios intelectuais.

O movimento dos Sem Terra interage aproximadamente com 1500 escolas em seus assentamentos e seus acampamentos, e idealizou a Escola Nacional Florestan Fernandes (ENFF) 13 no município de Guararema, interior de São Paulo, tomando para si a educação dos seus militantes e criando novos conceitos pedagógicos, de formação política e cultural.

Portanto no horizonte da globalização é preciso criar novas formas de educação em contraponto a educação tradicional que sofre grande influencia do pensamento dominante neoliberal, pois muitas dessas políticas educacionais são financiadas com dinheiro de organismos como o Banco Mundial, nesse sentido os movimentos sociais apontam a necessidade de barrar a implantação de ações que visam mercantilizar a educação, como propõem os diversos Tratados de Liberalização Comercial (TLC), a Área de Livre Comércio das Américas (ALCA) e os acordos da Organização Mundial do Comércio (OMC). 

NOTAS
1 Mello, Alex Fiúza de. Mundialização e política em Gramsci, cap. 2, pag. 19.
2 Mello, Alex Fiúza de. Gramsci, o capital Supranacional e o novo teorema da política. Revista Brasileira de Ciências sociais.
3 apud Fiúza de Mello
4 Idem pág. 24.
5 Gramsci, Antonio. “Concepção Dialética da História”, 10ª edição, São Paulo, Civilização Brasileiro, 1995, tradução de Carlos Nelson Coutinho.
6 Gramsci, Antonio. apud Alex Fiúza de Mello. Gramsci, o Capital Supranacional e o novo teorema da política. Revista Brasileira de Ciências Sociais, vol 21, n° 62, pág. 107.
7 Idem, pág. 109.
8 Mello, Alex Fiuza de . Mundialização e Política em Gramsci.
9Coutinho, Liguori, Löwy, Rouanet. O Pensador Hegemônico. Folha de S. Paulo. Caderno Mais!, 21 nov. 1999.
10 Magrone, Eduardo. Gramsci e a Educação: A Renovação de uma Agenda Esquecida. Disponível em: < http://www.scielo.br/pdf/ccedes/v26n70/a05v2670.pdf>. Acesso em 09 jun 2007.
11Eagleton apud Bellan Rodrigues
12 BETH, Hanno e PROSS, Harry. Introducción a la ciência de la comunicación. Barcelona: Anthropos, 1987.
13 A e escola promove cursos formais e informais voltados para a produção, comércio e gestão dos acampamentos e assentamentos. Além disso, são realizados diversos encontros, seminários e atividades culturais para assentados e acampados, com a participação de mais de 1,8 mil educadores.
Para Maria Gorete Souza, da coordenação político pedagógica da ENFF, esses números apontam para uma importante conquista popular. “Nós conseguimos dar um passo importante no processo de formação da militância do MST e das outras organizações, possibilitando a elevação do nível cultural e de conhecimento para uma melhor atuação e compreensão da realidade que nós vivemos”.



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06/01/2012

Malba Tahan, o escritor matemático que criou uma didática própria e divertida

Publicado por Marli Castanheira

Malba Tahan - O Árabe Brasileiro



http://www.malbatahan.com.br/

Genial professor, educador, pedagogo, escritor e conferencista brasileiro, Júlio César escreveu ao longo de sua vida cerca de 120 livros de matemática recreativa, didática da matemática, história da matemática e ficção infanto-juvenil, tendo publicado com seu nome verdadeiro ou sob pseudônimo.

Júlio César de Mello e Souza nasceu em 6 de maio de 1895 no Rio de Janeiro e celebrizou-se como Malba Tahan. Foi um caso raro de professor que ficou quase tão famoso quanto um craque do futebol. Em classe, Malba Tahan lembrava um ator empenhado em cativar a platéia que, apesar da disciplina pouco popular, a Matemática, admirava e aplaudia a aula do escritor matemático que criou uma didática própria e divertida, até hoje viva e respeitada.

Malba Tahan, o gênio da Matemática, foi um desastre completo nos números quando era o aluno Júlio César de Mello e Souza, do Colégio Pedro II, no Rio. Nessa época, seu boletim registrou em vermelho uma nota dois, em uma sabatina de Álgebra, e raspou no cinco, em uma prova de Aritmética.

Qual seria a causa de um desempenho tão fraco para alguém que viria a se apaixonar pela Matemática? Com certeza, Júlio César não gostava da didática da época, que se resumia a cansativas exposições orais. Mal-humorado, classificou-a mais tarde como O "detestável método da salivação".

Nas palestras que dava - foram mais de 2000 ao longo da sua vida , nas aulas para normalistas ou nos livros que escreveu, Júlio César defendia o uso dos jogos nas aulas de Matemática. Enquanto os outros professores usavam apenas o quadro-negro e a linguagem oral, ele recorria à criatividade, ao estudo dirigido e à manipulação de objetos. Suas aulas eram movimentadas e divertidas. Defendia a instalação de laboratórios de Matemática em todas as escolas.

"Ele estava muito além de seu tempo", afirma o respeitado matemático e professor paulista Antônio José Lopes Bigode, autoridade em Malba Tahan. "O resgate da sua didática pode revolucionar o ensino", acredita. "Ainda hoje, o ensino tradicional da Matemática é responsável por metade das repetências."
Em sala de aula, Júlio César não dava zeros, nem reprovava. "Por que dar zero, se há tantos números?", dizia. "Dar zero é uma tolice:" O professor encarregava os melhores da turma de ajudar os mais fracos. "Em junho, julho, estavam todos na média", garantiu no depoimento ao Museu da Imagem e do Som.

"Hoje, as atividades lúdicas são muito valorizadas, mas naquela época eram vistas como uma heresia", observa o professor de Matemática Sérgio Lorenzato, da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Lorenzato, que foi aluno de Júlio César, guarda como uma relíquia o caderno que usou para anotar as aulas. "Ele dizia que o caderno tinha de refletir a vida do aluno", lembra Lorenzato. "E estimulava que colássemos em suas folhas gravuras, recortes de revistas e jornais e até provas já corrigidas."

Carismático, Júlio César encantava os alunos. Mas nem todos se sentiam à vontade com a sua informalidade. "Os tradicionalistas eram absolutamente contrários a Malba Tahan e ao seu interesse pelo cotidiano da Matemática",explica o editor de livros didáticos da editora Scipione, Valdemar Vello.
Genial professor, educador, pedagogo, escritor e conferencista brasileiro, Júlio César escreveu ao longo de sua vida cerca de 120 livros de matemática recreativa, didática da matemática, história da matemática e ficção infanto-juvenil, tendo publicado com seu nome verdadeiro ou sob pseudônimo.

Júlio César de Mello e Souza nasceu em 6 de maio de 1895 no Rio de Janeiro e celebrizou-se como Malba Tahan. Foi um caso raro de professor que ficou quase tão famoso quanto um craque do futebol. Em classe, Malba Tahan lembrava um ator empenhado em cativar a platéia que, apesar da disciplina pouco popular, a Matemática, admirava e aplaudia a aula do escritor matemático que criou uma didática própria e divertida, até hoje viva e respeitada.

Malba Tahan, o gênio da Matemática, foi um desastre completo nos números quando era o aluno Júlio César de Mello e Souza, do Colégio Pedro II, no Rio. Nessa época, seu boletim registrou em vermelho uma nota dois, em uma sabatina de Álgebra, e raspou no cinco, em uma prova de Aritmética.

Qual seria a causa de um desempenho tão fraco para alguém que viria a se apaixonar pela Matemática? Com certeza, Júlio César não gostava da didática da época, que se resumia a cansativas exposições orais. Mal-humorado, classificou-a mais tarde como O "detestável método da salivação".

Nas palestras que dava - foram mais de 2000 ao longo da sua vida , nas aulas para normalistas ou nos livros que escreveu, Júlio César defendia o uso dos jogos nas aulas de Matemática. Enquanto os outros professores usavam apenas o quadro-negro e a linguagem oral, ele recorria à criatividade, ao estudo dirigido e à manipulação de objetos. Suas aulas eram movimentadas e divertidas. Defendia a instalação de laboratórios de Matemática em todas as escolas.

"Ele estava muito além de seu tempo", afirma o respeitado matemático e professor paulista Antônio José Lopes Bigode, autoridade em Malba Tahan. "O resgate da sua didática pode revolucionar o ensino", acredita. "Ainda hoje, o ensino tradicional da Matemática é responsável por metade das repetências."
Em sala de aula, Júlio César não dava zeros, nem reprovava. "Por que dar zero, se há tantos números?", dizia. "Dar zero é uma tolice:" O professor encarregava os melhores da turma de ajudar os mais fracos. "Em junho, julho, estavam todos na média", garantiu no depoimento ao Museu da Imagem e do Som.

"Hoje, as atividades lúdicas são muito valorizadas, mas naquela época eram vistas como uma heresia", observa o professor de Matemática Sérgio Lorenzato, da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Lorenzato, que foi aluno de Júlio César, guarda como uma relíquia o caderno que usou para anotar as aulas. "Ele dizia que o caderno tinha de refletir a vida do aluno", lembra Lorenzato. "E estimulava que colássemos em suas folhas gravuras, recortes de revistas e jornais e até provas já corrigidas."

Carismático, Júlio César encantava os alunos. Mas nem todos se sentiam à vontade com a sua informalidade. "Os tradicionalistas eram absolutamente contrários a Malba Tahan e ao seu interesse pelo cotidiano da Matemática",explica o editor de livros didáticos da editora Scipione, Valdemar Vello.

Leia mais  sobre Malba Tahan  AQUI E AQUI



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A loucura do ensino privado e os abusivos reajustes da mensalidade.

Barricadas - [Felipe Moda] Atraídos pela possibilidade de cursar o ensino superior pagando pouco, já que a maioria não consegue ultrapassar a peneira social dos vestibulares nas universidades públicas, jovens se matriculam nas universidades privadas, calculando desde o momento de sua matrícula o quanto que será gasto por mês para concluírem o sonho de terem o diploma.

Porém, ano após ano as universidades aplicam um abusivo reajuste na mensalidade levando muitos estudantes a trancarem seus cursos no meio, abandonando o sonho pela metade.

Na passagem de 2011 para 2012 não está sendo diferente. Importantes universidades privadas já declararam o valor dos seus cursos para o próximo período, motivo de revolta para a maioria dos estudantes. Para citarmos exemplos apenas de universidades de São Paulo, apesar de o problema ser uma questão nacional, a Uninove aumentou o valor de alguns dos seus cursos em mais de 50%; universidades tradicionais, como a PUC-SP, Mackenzie e Cásper Líbero, nas quais as mensalidades também serão reajustadas a cima da inflação anual, o aumento chegou a 20%.

Estes dados mostram o que acontece quando a educação, um direito social, passa a ser tratado como mercadoria. Ao invés de termos um direito acessível a todos, temos um produto a ser consumido por uma parcela da sociedade e que deve estar (des)regulado pela "lei do mercado". Por isso, é sempre necessário que algumas pessoas não tenham acesso a este produto, obtendo assim uma demanda maior que uma oferta, o que possibilita maior possibilidade de lucros para o dono do produto. E é este o caminho que é escolhido pelo nosso governo federal para "universalizarmos a educação". Uma grande contradição. É sempre bom lembrar que o número de jovens cursando o ensino superior é inferior a 15% da população nesta faixa etária.

A expansão do ensino superior privado

A partir dos anos 90 somos dominados pela lógica neoliberal, partindo da premissa do Estado mínimo, o que acarreta na necessidade da privatização de alguns setores básicos da população, como a educação. De 1994 para cá, o número de universidades privadas cresceu 327% e hoje temos mais que 75% das vagas no ensino superior ocupadas por estas universidades. Em 1994, este número era de 58,4% – bastante alto, mas menor que o atual.

A expansão da privatização na educação está longe de ser algo restrito ao governo FHC, rapidamente associado à direita tradicional do país, já que durante o governo Lula, que se diz de esquerda, esta política de expansão continuou. Em 2002, ano em que o PT chegou ao poder, a porcentagem de vagas no ensino privado era de 69%.

Esta rápida expansão do ensino privado que vivemos passou por uma crise em meados de 2004. Os valores cobrados pelas instituições de ensino não eram compatíveis com a renda da população brasileira, o que levou a um alto número de vagas ociosas, gerando prejuízo para estas instituições. Para salvar os tubarões de ensino desta crise, Lula criou programas de acesso dos jovens ao ensino privado, como o FIES, que aumentou o endividamento estudantil, e o ProUni, que dá isenções fiscais em troca de matrículas de jovens de baixa renda, regulando assim a relação de oferta e procura, para alegria dos mantenedores destas instituições.

Aumento das mensalidades, de quem é a culpa?

A primeira vista, o aumento abusivo das mensalidades é apenas culpa dos donos e mantenedores das universidades privadas, que querem aumentar os seus lucros as custas dos estudantes. Não podemos tirar a culpa destes atores, porém é essencial percebermos que eles não são os únicos a agirem nesse sentido.

Como já dito, a educação é um direito universal. Para ela ser promovida por uma instituição privada, é fundamental que o Ministério da Educação (MEC) autorize o seu funcionamento. O governo federal, seguindo a lógica neoliberal, tirou a obrigação do MEC de promover educação e deixou a ele a função de mero fiscalizador das instituições de ensino. Dentro desta função de fiscalizador que o MEC tem hoje, seria fundamental a sua intervenção nas universidades que aumentam abusivamente as suas mensalidades, pois este aumento vai na contramão da garantia do direito da educação para todos, mas isto não acontece. Temos que refletir sobre o porquê disto.

Aliando os interesses do livre mercado, com a busca da universalização do ensino pela iniciativa privada e as não iniciativas do MEC em promover a educação pública, temos que o governo, no mínimo, é condizente com estes aumentos e deve também ser cobrado. A liberação de funcionamento de instituições que não respeitam os interesses dos estudantes é de responsabilidade do MEC. Sendo a educação um direito constitucional, todas as qualidades e mazelas existentes no setor são, em última análise, responsabilidades dos nossos governantes.

A saída necessária é o ensino público para todos

O ensino privado exclui, pois não é de interesse dos donos de universidade que todos os jovens estudem. Ao excluir, ele aumenta a sua possibilidade de dominar os seus estudantes, tendo a liberdade necessária para promover estes aumentos.
A luta dos estudantes de ensino privado em suas universidades contra estes aumentos é fundamental, atos e abaixo-assinados se fazem necessários. É fundamental percebermos que a luta por um ensino público dentro de uma instituição privada não é contraditório e sim fundamental para avançarmos com estes problemas que rondam as universidades pagas.

Durante todo o ano 2011 tivemos importantes discussões sobre o novo Plano Nacional de Educação e agora no início de 2012 teremos a votação do projeto. Para a luta contra o aumento das mensalidades se fortalecer a longo prazo temos que lutar contra todas as medidas privatizantes previstas no plano, que não são poucas. Em nenhum ponto do plano são previstas metas claras para o ensino público: ao contrário, temos o fortalecimento de programas que auxiliam a expansão da rede privada.

Dentro dente panorama, a luta pela aplicação de 10% do PIB para educação pública é fundamental de ser travada também pelos estudantes da rede privada. A partir deste maior financiamento, teremos a abertura de mais vagas no ensino público, acabando assim com a seleção sócio-econômica das universidades públicas, tendo um ensino para todos.

* Felipe Moda é estudante de psicologia da PUC-SP, militante do campo "Barricadas Abrem Caminhos" e diretor de políticas educacionais da UEE-SP pela Oposição de Esquerda.


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03/01/2012

Analfabetismo tem origens culturais

Cultura passada de pai para filho é responsável por analfabetismo

Estudo da USP dá vida a estatísticas oficiais: maioria dos analfabetos é idosa e cresceu no campo. Os filhos, porém, estudam

Hildo Moreira conhece as letras, mas tem muita dificuldade em compreender quando elas se tornam palavras. Apesar dos 46 anos de vida, até hoje a escola não foi um lugar em que se sentisse à vontade e conseguisse mantê-lo firme no propósito de aprender. Hildo lembra-se de ter completado apenas a 1 ª série do ensino fundamental, justamente a que as crianças começam a ler e a escrever.
Um estudo realizado recentemente na Universidade de São Paulo (USP) dá vida aos números apontados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) como o perfil da maioria dos analfabetos do País. Ele mostra que a história de exclusão educacional dessas pessoas ainda na infância está ligada ao lugar onde a maioria morava: o campo. Não só o acesso às escolas dificultou a alfabetização, como também a cultura passada de pai para filho.

Vanessa Pupo, que realizou a pesquisa com 483 adultos matriculados em turmas de alfabetização de adultos na cidade de Piracicaba, conta que 70% deles cresceram em áreas rurais. Os pais deles também deixaram de ser alfabetizados. De acordo com os entrevistados pela pesquisadora, o trabalho na roça era visto como mais importante que o estudo. Por isso, o abandono escolar fazia parte da rotina das pessoas.

A vida posterior na cidade, no entanto, os impediu de reproduzir o pensamento dos pais: os filhos dos entrevistados não fazem parte das estatísticas do analfabetismo. “O estudo mostrou que as exigências do mundo do trabalho nas cidades fizeram com que eles passassem a valorizar a educação e a vissem como ferramenta de mobilidade social. Por isso, eles colocaram os filhos na escola e muitos ainda tentam estudar”, afirma Vanessa. 
Os relatos dos estudantes adultos entrevistados por Vanessa podem ser a explicação para outro fenômeno registrado pelas estatísticas oficiais: a redução do analfabetismo entre jovens. Os dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) de 2010 mostram que, nos últimos 10 anos, a taxa de analfabetismo entre jovens com 15 a 24 anos recuou de 10,1% para 4,6%. A grande maioria (92,6%) dos analfabetos brasileiros tem mais de 25 anos.

Entre os idosos (com 60 anos ou mais), o movimento foi inverso. A quantidade de analfabetos cresceu. Em 1999, 34,4% da população desse grupo não sabiam ler nem escrever e, dez anos depois, chegou a 42,6%. Os dados também revelam que 40,7% da população rural é analfabeta funcional – não consegue compreender o que lê. Na área urbana, a porcentagem é de 16,7%.

Difícil recomeço

Os adultos entrevistados por Vanessa tentavam voltar à escola, tarefa que não é fácil. Quem faz essa opção aponta o desejo de um emprego melhor, de poder ajudar os filhos na escola ou de “deixar de ser cego” na sociedade como motivadores. Dentro das salas de aulas, eles precisam enfrentar métodos ainda distantes da própria realidade e infantilizados, como destaca Vanessa.

“O processo de alfabetização de adultos precisa ser diferente. Eles têm conhecimentos que não adquiriram por meio da escola e, por isso, não são valorizados. Mas essas experiências de vida precisam ser consideradas e servir como motivadores”, opina a pedagoga.

Hildo conhece bem todas essas dificuldades. Ele não morou em fazendas como os pais, mas foi criado por pais analfabetos, que não se importaram quando ele deixou a escola. Há 25 anos, ele vigia carros em um mesmo estacionamento no centro da capital federal. Algumas vezes, Hildo conta que tentou se livrar do cansaço e tentar estudar. Mas acabou desistindo novamente.

“Eu quero voltar para a escola. Se eu tivesse filho, não ia deixar ele parar não. A escola fez falta para eu conseguir um emprego melhor, mas eu também tenho vontade de pegar um jornal para ler”, conta. Hildo mora longe de onde trabalha. Depois de perguntar uma vez, conseguiu “aprender” a ler a placa do ônibus que o leva de volta para casa, na cidade-satélite de Taguatinga, no Distrito Federal.

Para Vanessa, traçar o perfil dos analfabetos é fundamental para a definição de políticas públicas. Mas faltam dados nesse sentido. “Não encontrei nada sobre o perfil desses estudantes na Secretaria Municipal de Educação de Piracicaba, por exemplo. Para sanarmos essa dívida histórica com as pessoas excluídas da educação, precisamos conhecê-las”, afirma.



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31/12/2011

FELIZ ANO NOVO

O grupo “LUTA PELA EDUCAÇÃO - DIÁRIO DA CLASSE”, deseja aos trabalhadores da educação e todos aqueles  que defendem a democracia popular, o internacionalismo, os  princípios necessários para combater o capitalismo e construir as condições necessárias ao socialismo,  um ano repleto de conquistas , com bons e vitoriosos combates.
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“Instrui-vos, porque precisamos de vossa inteligência. Agitai-vos, porque precisamos de vosso entusiasmo. Organizai-vos, porque carecemos de toda vossa força.” 
Revista L'Órdine Nuovo